27.5.19

Jewelery - Nuno Lopes.jpg

Foto: Jewelery - Nuno Lopes

 

Conhecido simplesmente por Sr. Nunes, assim era tratado de forma carinhosa por quem recorria aos seus serviços de artesão da indústria de prata. Foi um exímio artista na conceção, fabrico e reparação de joias e de artigos de prata. Exercia essa profissão, que por natureza é de cunho artesanal, na própria casa onde vivia, em prédio muito antigo, do século XV, sobranceiro ao Rio Douro, em privilegiada zona histórica da cidade do Porto, na freguesia da Sé.

Na sua modesta casa, sentia-se e vivia-se um ambiente de bem-estar que transmitia serenidade, um viver saudável a que não eram estranhos os nobres princípios pelos quais orientava e pautava a sua forma de estar na vida, quais sejam: o rigor, a modéstia, o recato e a probidade. Sempre coerente a agir na prática dos seus atos e no seu modo de pensar, qualidade rara de que era dotado, muita estima e confiança granjeou daqueles para quem trabalhou e com quem conviveu.

Dedicou-se intensamente a essa nobre profissão, que abraçou desde muito novo, praticamente desde a infância, seguindo assim uma velha tradição de família, honrando e fazendo jus aos pergaminhos dos seus antepassados, também eles exímios e consagrados artífices que foram na indústria de ourivesaria de prata. Era com esmero e rara habilidade que dava largas à execução dos seus trabalhos, aprimorando quaisquer produtos de ourivesaria, quer na criação ou na reparação de artigos de prata.

Foi sempre fiel a si próprio e aos princípios pelos quais se norteava, nunca deles abdicando, tendo percorrido na sua vida um longo caminho de trabalho, em que estiveram sempre presentes, no seu dia a dia, a verdade, a compostura, o decoro e a ética. Para ele, o mais importante era ser cumpridor dos seus deveres, ser íntegro, coisa rara nos tempos que correm, mas que tal não fosse por pressão social, económica ou por temor de represálias, porque nele residia essa nobre virtude e dela tinha consciência de que assim deveria ser para o seu bem e, sobretudo, para todos aqueles com quem convivia.

Por isso nunca enriqueceu, e muito menos foi um homem abastado, o que, aliás, a tal não aspirava, mas possuía uma outra e de maior riqueza, embora invisível, a da sã e autêntica honestidade, cuja dimensão fez dele um homem integro na “arte” de viver e na sua atividade profissional, virtude que o tornou inesquecível para quem com ele conviveu e conheceu de perto.

 

José Azevedo

 

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