8.7.10

 

Os estados emocionais são condição essencial da experiência humana. Traduzem sensações subjectivas, positivas e negativas, que variam em intensidade e duração, sendo de carácter transitório e sensível às experiências do indivíduo. São resultado da actividade cerebral e influenciam áreas específicas do funcionamento neurocognitivo como a atenção e a motivação, determinando o que é relevante para os seres humanos. Nesta medida, são consideradas uma representação da saúde psicológica do indivíduo e possuem um amplo papel no ambiente clínico.

Não existe uma taxionomia ou teoria para as emoções que seja geral ou aceite de forma universal e é grande a panóplia das emoções vivenciadas por todos nós. De entre as diferentes emoções, onde se pode incluir o prazer, a alegria, a euforia, o êxtase, a tristeza, o desanimo, a depressão, o medo, a ansiedade, a raiva, a hostilidade e a calma, a depressão e a euforia apresentam características opostas. Isto porque o sintoma cardinal da depressão é o humor disfórico, termo que implica tristeza, geralmente incluindo perda de interesse ou prazer na maioria das actividades da vida. Já a euforia é um estado de espírito caracterizado por uma satisfação e alegria fora do normal, aceleração extrema e inquietude, estimulando o impulso para compras e a hiper-sexualidade, entre outras reacções. Então, euforia e disforia são dois estados opostos, tal como alegria e tristeza e felicidade e infelicidade.

 

Do ponto de vista da utilidade, os estados emocionais são auto-reguladores e, pela informação que transmitem, podem ser poderosos aliados em termos de conduta. Mas esta aliança nem sempre acontece, já que o ser humano tende para a rigidificação ao nível do pensamento e é com grande facilidade que se deixa guiar por aquilo que sente sem pensar muito sobre o que está a acontecer.

A meu ver, tal como nos relacionamos com os outros, relacionamo-nos com nós próprios e com os nossos estados emocionais (não só a euforia e a disforia, como com todos os outros). Neste processo, a relação estabelecida pode ser adaptada, com os estados emocionais a serem usados como forma de orientação e regulação pessoal, ou desadaptada, quando as pessoas são apenas veículos para a sua expressão desorganizada. Daí que seja importante que cada um de nós se pergunte regularmente: Que tipo de relação tenho com as minhas emoções? Esta relação é vantajosa para mim?

 

Ana Gomes

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 22:05  Comentar

31.5.10

 

A Perturbação Bipolar, antes denominada Perturbação Maníaco-depressiva, insere-se no grupo mais amplo das Perturbações do Humor, onde se inclui também a Perturbação Depressiva.

Para a compreensão deste grupo e das perturbações que lhe estão associadas, é necessário ter em conta os diferentes episódios de alteração do humor – Episódio Depressivo, Episódio Maníaco, Episódio Misto e Episódio Hipomaníaco – que servem como princípios orientadores para o diagnóstico de uma Perturbação do Humor.

Muito sucintamente, a característica essencial de um Episódio Depressivo é um período (pelo menos 2 semanas) durante o qual existe ou humor depressivo ou perda de interesse em quase todas as actividades.

Um Episódio Maníaco é definido por um período distinto (pelo menos 1 semana) durante o qual existe um humor anormal e persistentemente elevado, expansivo (i.e., eufórico, excepcionalmente bom, alegre ou elevado) ou irritável, com frequente labilidade do humor.

Um Episódio Misto é caracterizado por alterações do humor (pelo menos 1 semana) de modo rápido (tristeza, irritabilidade, euforia) acompanhadas por sintomas de Episódio Maníaco e Episódio Depressivo.

Finalmente e tal como o Episódio Maníaco, o Episódio Hipomaníaco é definido por um período distinto (desta vez de pelo menos 4 dias) durante o qual existe um humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável. No entanto e em contraste com o Episódio Maníaco, o Episódio Hipomaníaco não é suficientemente intenso para provocar uma clara deficiência no funcionamento social ou ocupacional.

Para o diagnóstico de uma Perturbação Depressiva é necessária a ocorrência de um ou mais Episódios Depressivos, sem história de Episódios Maníacos, Mistos ou Hipomaníacos. Já no caso da Perturbação Bipolar, que se subdivide em Perturbação Bipolar I e Perturbação Bipolar II, para o diagnóstico da Perturbação Bipolar I é necessária a ocorrência de um ou mais Episódios Maníacos ou Episódios Mistos (frequentemente com história de um ou mais Episódios Depressivos), para o diagnóstico da Perturbação Bipolar II é necessária a ocorrência de um ou mais Episódios Depressivos acompanhados de pelo menos um Episódio Hipomaníaco (DSM-IV-TR).

 

Admite-se hoje, em geral, a existência de numerosas formas de transição entre estados depressivos e maníacos, para além das formas supra citadas. A Perturbação Bipolar é apenas mais uma das expressões que as Perturbações de Humor podem ter e distingue-se da Perturbação Depressiva pela inclusão de episódios, quer maníacos ou mistos (I), quer hipomaníacos (II). Esta síntese que não abarca, de todo, a complexidade que é a Perturbação Bipolar, pretende apenas dar a perceber a instabilidade, ao nível da alteração de humor, que é característica desta perturbação. Para estes doentes a fonte da instabilidade são as emoções, que lhes provocam oscilações (na forma de episódios) que podem variar entre a tristeza profunda e a alegria extrema. Este salto constante entre um pólo e o outro (daí a designação “bipolar”), resulta de cognições desajustadas, interpretações erróneas da realidade, que provocam pensamentos e sentimentos, quer excessivamente positivos, quer excessivamente negativos. Assim, o rebuliço interno típico dos episódios que caracterizam esta perturbação, causa transtorno significativo e provoca grande sofrimento (que depende da intensidade e frequência dos episódios) naqueles que padecem desta doença.

 

A maioria de nós usa uma balança interna para pesar os acontecimentos da nossa vida. Num prato colocamos os prós, no outro os contras, e fazemos um balanço que pode levar a continuar, ou mudar de estratégia(s). Imagine agora o que seria se, como resultado de um ou mais episódios de alteração do humor, só usasse um prato dessa balança de cada vez. Num dia pesa apenas o positivo e, como não colocou nada no outro prato, o positivo leva o prato ao fundo. No outro dia, pesa apenas o negativo. Consegue conceber esta cisão emocional?

 

Ana Gomes

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 22:05  Ver comentários (1) Comentar

5.5.09


 


Emprego e desemprego não são só estados sociais. É verdade que o emprego (em especial alguns empregos) dá estatuto social, mas também permite o desenvolvimento pessoal e a realização profissional. O indivíduo sente-se integrado num processo de desenvolvimento social para o qual contribui com o seu trabalho. O trabalho é remunerado e, por conseguinte, ter emprego é ter a possibilidade de adquirir meios para a sobrevivência, diversão, cultura e outras manifestações tão importantes ao equilíbrio do ser humano.

 

Se o emprego proporciona tudo isto, o desemprego rouba-o, muitas vezes de forma cruel.

Na hora de reduzir aos “custos com o pessoal”, a notícia: “- Lamentamos, gostamos muito de si, foi sempre um funcionário exemplar, mas a empresa necessita de reduzir custos...”, dói, dilacera.

O ter sido dispensado de uma actividade, não contarem com os seus préstimos, provoca em cada indivíduo uma sensação dolorosa e a maior parte das vezes associada a um sentimento de injustiça.

Para quê tanto esforço?! Horas extraordinárias sem remuneração?! Apenas e só o sentido do dever a ditar horas de permanência para além do horário!

 

A família que, a bem do trabalho, conformada com a ausência, aceitando que as férias sejam reduzidas a duas semanas, poderá não compreender o despedimento!

Angústias sentidas que, a certeza de tudo ter feito para ser um empregado exemplar não acalmam, pelo contrário, são dores difíceis de conter. Não dói a consciência mas dói a alma.

E aos poucos, a dor cede o lugar ao desalento. Instala-se a dúvida e põem-se em causa capacidades. Triste com o presente e assustado com o futuro, o indivíduo inicia processos de autodestruição podendo acabar, em alguns casos, no suicídio.

 


 

Cidália Carvalho

 
Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 13:19  Comentar

17.3.09


 


Sinto a minha vida a passar como um filme onde eu adormeci…

O que eu faço neste mundo?

 

Desde a minha adolescência que sinto sempre ser menos do que deveria! Meus pais gostam mais da minha irmã e ela é que é perfeita! Não consigo fugir às comparações diárias… até na escola todos viravam à sua passagem… e eu: invisível… conhecida apenas como a irmã mais nova dela. E esse sentimento persegue-me… ainda me sinto minúscula, sozinha, completamente perdida neste mundo onde eu não tenho lugar… Como eu me sinto a mais infeliz dos mortais!

 

Não consigo fazer o meu marido feliz e nem sei porque é que ele casou comigo! Talvez por pena? Quanto mais ele tenta chegar a mim, mais culpa sinto por não o merecer! Não gosto de mim… porque é que alguém gostará?

 

E ultimamente… custa-me até dizer isto… mas tenho pensado tanto que seria tão mais fácil desaparecer… Não tenho sentido vontade de fazer nada, tudo me custa… levantar-me da cama é extremamente doloroso… ver-me ao espelho ainda mais… fujo dos outros, fujo da vida como de mim mesma… sinto uma angústia… e vejo os outros a falarem comigo mas não os consigo ouvir… e ninguém consegue compreender-me… falamos línguas diferentes? Bem, eu própria não consigo falar comigo, não tenho linguagem nem vida! É por isso que mesmo no meio de uma multidão, eu sentir-me-ia sozinha…

Não sinto alegria em mim, não sinto alegria nos outros e nem sinto alegria no mundo… acho que morri e ainda não me enterraram…

 

Ana Lua

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 21:25  Ver comentários (2) Comentar

12.2.09


 


O suicídio ocorre, com maior frequência, à noite?




O suicídio é muitas vezes uma solução patológica para um angustiante problema que a pessoa considera intransponível.


Sabemos que ao risco de suicídio estão frequentemente associadas múltiplas doenças psíquicas ou psiquiátricas. Cerca de 15% dos que o cometem sofrem de depressão, em que a desmotivação de vida é insuportável e torna-se imbatível o não querer viver. A pessoa perdeu toda a capacidade energética e a vida não tem o mínimo sentido ou interesse. Sente-se sempre e invariavelmente, desesperadamente incompreendida e só, mesmo rodeada de gente, desfasada e desencontrada de si mesma, inadaptada e profundamente frustrada e desiludida. “Uma vida sem vida”, dizia alguém.


 


É este estado de espírito que pode levar ao refúgio e à procura da escuridão da noite, para se identificar com o seu sentimento mais profundo. Por outro lado, pode perturbar os que têm dificuldade em gerir esses momentos frios, sós e escuros. A noite pode ser também facilitadora face à vergonha que a sociedade ainda impõe a quem tem este tipo de pensamentos.


 


Sabe-se que a temperatura ambiente afecta o conforto e, portanto, o estado psíquico do Homem – o humor e o comportamento – condicionando um vasto conjunto de acções mecânicas sobre as funções cerebrais. Do mesmo modo as diferenças de duração do dia e da noite contribuem também para afectar o bem-estar psíquico dos indivíduos.


 


Não poderemos, apesar disso, estabelecer uma relação entre o acto suicida e o momento do dia, por não encontrarmos estudos que o fundamentem. Reparamos, contudo, que não raras vezes as noticias destes acontecimentos referem a noite como tendo sido o momento em que esse acto foi pensado, planeado e nalgumas vezes cometido.


Na verificação dos dados de uma consulta da especialidade, verificou-se que as “tentativas de suicídio são um fenómeno predominantemente da tarde e da noite, em acto impulsivo em casa, após discussão no contexto de um conflito pré-existente, mais frequentemente com o parceiro”.


 


Porém, tem-se verificado que, apesar de todas as condicionantes de risco, de ordem pessoal, psicológica, psicopatológica e social, se a pessoa encontrar alguém com quem tenha oportunidade de falar (por exemplo: um serviço de apoio emocional como os apresentados na coluna direita deste blog), num gritante desabafo dum sufoco insustentável, que o escute, compreenda e a ajude a ver a sua própria vida com carinho é, por vezes, suficiente para evitar o acto.


 


Ana Santos


 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 11:46  Ver comentários (1) Comentar


Praia | Cabo Verde

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Equipa

> Alexandra Vaz

> Cidália Carvalho

> Ermelinda Macedo

> Fernando Couto

> Inês Ramos

> Jorge Saraiva

> José Azevedo

> Maria João Enes

> Marisa Fernandes

> Rui Duarte

> Sara Silva

> Sónia Abrantes

> Teresa Teixeira

Abril 2019
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
13

14
16
17
18
20

21
23
24
25
26
27

28
29
30


Arquivo
2019:

 J F M A M J J A S O N D


2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
Entendi a exposição, conforme foi abordada mas, cr...
Muito obrigada por ter respondido ao meu comentári...
Obrigado Teresa por me ler e muito obrigado por se...
Apesar de compreender o seu ponto de vista, como p...
Muito agradecemos o seu comentário e as suas propo...
Presenças
Ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: