8.6.09


 


Toda a nossa vivência gravita em tons comunicacionais. Qualquer que seja a sua forma, deveria permitir-nos encontrar um mundo de possibilidades. Desde o relacionamento com o nosso mais íntimo fio condutor, até ao contacto mais complexo com o outro. Essa dualidade de comunicação (com o próprio e com os outros) deveria funcionar em sintonia. Mas por vezes assim não o é. Por vezes não comunicamos eficazmente connosco, ou fazemo-lo de forma enganosa caindo no sofrimento psíquico do não encontro e não reconhecimento de nós próprios.

O mesmo se passa quando comunicamos com os outros. Não numa dimensão interna, claro, mas o tecido do que nos constitui como significantes para os outros é sempre toldado pelo que exprimimos. Todos nós somos vítimas do que falamos, do que vestimos, de como nos mexemos, das escolhas que fazemos e de todos aqueles aparentes nadas que nos fazem comunicar. Para a pessoa com atraso mental comunicar é tão fundamental como para qualquer outra. É o veículo primário da sua identidade, dos seus desejos e necessidades. Contudo, ao contrário do que sucede com uma pessoa sem atraso mental, a expressão destas necessidades reveste-se de um carácter de dependência de terceiros muito mais relevante, conforme o seu grau.

 

De relembrar aqui que hoje em dia para se intervir com esta população, a ênfase do diagnóstico incide não no seu QI mas sim na extensão dos apoios que a pessoa necessita. Assim, uma pessoa com menor necessidade de apoios terá menor necessidade de os comunicar, enquanto o inverso também é directamente proporcional. E aqui reside um problema: geralmente, as pessoas com as maiores necessidades de apoio, são também as que apresentam os maiores deficits comunicacionais. Como então quebrar esta barreira? Nas situações em que a pessoa não possui linguagem verbal temos hoje em dia um conjunto de técnicas de comunicação alternativa e aumentativa, cada uma adaptada a cada caso específico. Estas técnicas podem revestir-se da maior simplicidade, como um conjunto de símbolos / pictogramas ordenados numa capa, ou de forma mais complexa como um software informático aplicado num PDA. Claro que a eficácia de utilização destas ferramentas depende sempre da vontade da pessoa com limitações comunicacionais.

 

Contudo, muitas vezes a comunicação não é eficaz apenas pela falta de meios ou de motivação da pessoa com atraso mental. Toda a gente reconhece que a comunicação é bilateral. Assim, o foco da incomunicação pode não depender de um interlocutor (pessoa com atraso mental) mas sim do seu suposto receptor. E aqui torna-se angustiante a sensação de impotência que consome alguém que quer ser ouvido, em primeiro lugar, e mais importante ainda, ser entendido. O que encontro no meu dia-a-dia enquanto técnico numa instituição de apoio a esta população é um mundo de escuta mas não de entendimento. Nós, cuidadores, muitas vezes caímos no erro inconsciente de atender apenas às necessidades que nos são evidentes, tais como uma muda de fraldas, um copo de água, uma folha de papel, etc.. Tal facto, embora sendo um gesto técnico correcto, inibe talvez o que de mais importante poderia acontecer entre dois indivíduos: a compreensão mútua, através de qualquer meio disponível, do que constitui cada um de nós como indivíduos únicos e diferenciados. Não existem fórmulas para tal. A minha sugestão é a seguinte: comuniquem com todas as pessoas de forma igual. Não em relação ao conteúdo, formulação, extensão, etc., mas sim empregando em cada “conversa” toda a vossa dedicação e empenho para que sejam compreendidos, aceites e reconhecidos e através deste gesto compreenderem, aceitarem e reconhecerem o outro… como únicos, mas iguais.

 

Rui Duarte

(psicólogo, convidado do MiL RAZõES...)

 
Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 22:39  Ver comentários (1) Comentar

21.4.09

Para ver, ouvir e pensar (com tempo). E, porque não, comentar?


  








    








 








 








  


Cidália Carvalho


 

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4.12.08

 


 



Comemorou-se ontem o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, e numa rápida pesquisa encontrei o seguinte texto sobre o tema:


 


"O dia internacional das pessoas com deficiência é uma data comemorativa internacional promovida pelas Nações Unidas desde 1998, com o objectivo de promover uma maior compreensão dos assuntos concernentes à deficiência e para mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e o bem estar das pessoas. Procura também aumentar a consciência dos benefícios trazidos pela integração das pessoas com deficiência em cada aspecto da vida política, social, económica e cultural."


 


E se é verdade que vejo cada vez mais os lugares de estacionamento para deficientes, nos centros comercias, a serem respeitados pelo comum dos cidadãos, questiono-me se realmente cada um de nós, individualmente ou como membro activo da sociedade, temos feito o devido esforço no sentido de que o texto acima transcrito não seja apenas um conjunto de palavras bonitas, sem qualquer tipo de significado prático?


 


Eu acho que sou um nacionalista convicto, não digo apenas com orgulho que sou Português quando a selecção ganha no futebol. E por ser nacionalista gosto muito do meu país e tenho muito orgulho nele, o que não me impede de ver os seus (meus) defeitos e apontá-los com o intuito de contribuir para um país cada vez melhor e, acredito, que essa melhoria passa também, sem dúvida, por uma melhor integração de todos os seus cidadãos, tenham ou não algum tipo de deficiência associada.


 


Alexandre Teixeira


 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 12:13  Ver comentários (1) Comentar

1.11.08
 

 

My Dream!

Tratando-se de uma Companhia de pessoas com dficiência,  imaginei que os seus sonhos passassem por poderem ver, ouvir, falar ou andar.

O que me motivou a ir ver este espectáculo foi, acima de tudo, achar que era um acto benemérito e social.

Que ignorância a minha!

Os artistas passaram a mensagem. Têm olhos iguais aos nossos só que à volta estão escuros, mas nem por isso deixam de ver o branco num céu azul.  Têm e querem dar amor. Querem cumprimentar o mundo.

Nas danças, a delicadeza dos gestos e o movimento ritmado eram duma graciosidade impressionante.

As canções eram tão bem executadas que nos  emocionavam. A assistência foi ao rubro com uma musica do José Cid e com a Canção do Mar já protagonizada pela Dulce Pontes.

Não, não estou a falar de artistas portugueses.

My Dream, é um espactáculo feito por artistas deficentes chineses que, delicadamente cantaram integralmente estas duas canções em português. Em bom português,  bem pronunciado, sem sotaque.

As diversas actuações eram apresentadas com liguagem gestual, em que os gestos eram muito mais do que isso, eram um bailado, e por uma voz off, tranquila e intimista.

Sim, havia ali sonho e fantasia. Eu sonhei. A assistência sonhou.

 


 

Cidália Carvalho

 
Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 02:10  Ver comentários (2) Comentar

26.10.08

 


 


A propósito da exposição de fotografias "Vidas todos os dias", de Marcus Garcia Moreira, que está patente no Centro Português de Fotografia (Antiga Cadeia da Relação do Porto, na Cordoaria), tive a sorte de ser convidado a assistir à conferência "Arte e Inclusão", onde participaram para além do já referido fotógrafo, representantes da Cerci Espinho e do Espaço T, que defenderam apaixonadamente, a inclusão e a não discriminação pela sociedade dita "normal" das pessoas que possuem algum nivel de "anormalidade", no entanto, para mim, o que me me tocou mais, não foram as palavras destes representantes, mas sim as fotografias de Marcus Garcia Moreira.


 


Nelas conseguimos percepcionar a alegria contangiante de quem possa ter menos do que nós e ainda assim, tirar daí alegria de viver. É acima de tudo uma lição de vida à qual não devemos passar despercebidos nos dias que correm.


 


Alexandre Teixeira


 

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