15.4.10

 


A morte bate-nos à porta todos os dias, na televisão, nos jornais, ou quando perdemos familiares, amigos ou conhecidos. Não é escondida e é muitas das vezes explorada, mas, ao mesmo tempo, é encarada com receio, com medo, como uma espécie de tabu individual.


 


Receio da incerteza? Insegurança perante o desconhecido? A morte aparece sempre mais ou menos envolvida num manto de mistério. É um acontecimento que temos como certo, que aparece de surpresa, mesmo para aqueles que esperam por ela. Uns anseiam-na como prémio esperado por um percurso de vida condicionado pelo fim da existência, outros vêem-na como solução para os seus problemas, como um fim para uma vida de sofrimento, Outros ainda, receiam-na e, inclusive, sentem terror perante o seu pensamento.


Numa tentativa para explicar esta ansiedade, entendida como um medo difuso, ou mesmo medo de algo concreto, alguns estudos referem que as pessoas com maior medo da morte tendem a vê-la de forma mais negativa e temem-na mais à medida que envelhecem. Outros estudos mencionam que o medo da morte aparece associado a três dimensões: ao próprio significado subjectivo da morte, à lamentação face ao passado do não concretizado e, finalmente, em relação ao futuro, porque a pessoa verifica que não pode atingir todos os objectivos propostos dada a finitude da sua vida. Há alguns dados que mostram correlação entre a ansiedade face à morte e a espiritualidade e religiosidade. Parece que as pessoas com elevada ansiedade face à morte vivem mais insatisfeitas em comparação com aquelas que sentem uma baixa ansiedade, o que é compreensível.


 


Claramente, a “fé”, seja ela qual for, tem um papel fundamental na forma como se encara a morte e a vida e o seu sentido.


Epicuro, filósofo grego nascido em 341 A.C., examina a morte como não sendo nada. Ele diz: “A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais.” Será o nada, o não mais ser? Ou o portal para o tão aguardado prémio ou temido castigo?


Por outro lado Immanuel Kant apresenta-nos um pensamento audaz: “Se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então morrer também vale a pena…”


Será uma passagem, uma porta para outra dimensão, o acesso a outro nível de consciência, o encontro com a nossa alma, o regresso à nossa essência espiritual?


Certezas? Para poucos. Dúvidas - diria eu - são muitas e preocupam a maioria das pessoas.


 


A morte poderá ser decisiva, poderá ser o fim em si mesma, mas também pode ser compreendida, sentida, chorada. Pode ser entendida como lição de vida e de amor das pessoas que fizeram parte do nosso mundo individual, que recordamos com saudade e que deram, e dão, sentido à nossa existência fazendo parte de nós e da nossa história.


Vale a pena o atrevimento de sermos felizes, de sermos o que quisermos, de fazermos o que decidirmos e de viver intensamente cada minuto como sendo o último, e único, porque nada está garantido. E a vida? É tão frágil!


 


Ana T


 

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Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 22:05  Comentar

De Cidália Carvalho a 18 de Abril de 2010 às 14:56
João Nuno
Já me tinha cruzado com este titulo e tinha-o achado sugestivo, agora que o recomenda vou lê-lo sim.
Fique bem!

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