De Vitor Raimundo Martins a 11 de Abril de 2010 às 21:14
Fui convidado a entrar nesta conversa e agradeço à Zilda essa honra!

Lembram-se daquela velha máxima de Rousseau, de que o homem nasce bom e a sociedade é que o corrompe?!
Sou franco, sempre concordei em absoluto com isto, embora não seja fundamentalista ao ponto de defender o que defendiam os criminalistas, como por exemplo Lombroso (o criminoso tinha características próprias, endógenas, por oposição às exógenas - com origem no meio que o envolvia). Penso que somos egoístas e altruístas, por reacção, embora naturalmente tenhamos uma tendência predefinida! Depois, as experiências quotidianas, vão-nos marcando e acentuando-se, ou seja, até podemos ter a natural tendência de dar a outra face, mas infelizmente, vamos-nos corrompendo e quando damos por ela, já não o fazemos e desconfiamos sempre do próximo!
Um dia, a minha filhota Inês quando andava na 1ª classe, levou uma Barbie para a sala de aula e o respectivo belo cavalo cor-de-rosa. À entrada da sala, parou, e sem que ninguém se apercebesse, tirou o cavalo da saca e colocou-o à entrada, porque os “cavalinhos não podiam entrar na sala de aula”. Quando chegou a hora do recreio, foi a correr buscar o cavalo e o mesmo tinha desaparecido! Ficou muito triste e chorosa, pois não percebeu porque é que ele se evaporou. Eu irritado, expliquei-lhe “sabes porquê?! Porque foste burra e uma colega tua, neste momento está a rir-se a admirar o novo cavalo da sua Barbie!!”.
Hoje arrependo-me desta minha reacção e apetece-me abraçar a minha filha! Foi o que não fiz há 10 anos atrás e que deveria ter feito!! Ela é que tinha razão, pois não temos que desconfiar de todos! A grande maioria dos meninos e meninas não tirariam o cavalinho. Não deveria ter-me irritado mas antes acarinhado a sua inocência!
O meu saudoso tio Daniel Schneider, em Paris, foi a Tribunal, isto há cerca de 6, 7 anos! A história resume-se a isto, uma agente policial implicou com ele por qualquer coisa menor e autuou-o, ele tentou explicar-lhe que ela estava equivocada, mas não adiantou nada. No final da conversa, o Daniel com o seu bondoso e natural sorriso despediu-se da agente com um sonoro “adeus e seja feliz!”. Passados uns meses teve de ir a tribunal e explicar ao juiz que realmente desejou à Agente que ela fosse feliz, que não estava a ser hipócrita, nem quis com isso desrespeitar a autoridade, etc, etc, etc. Foi condenado a uma pena mínima, uma multa, e ao que parece essa condenação valeu quase como uma absolvição, mas … foi uma condenação! O Daniel saiu do Tribunal, satisfeito como sempre e despediu-se do juiz da mesma forma, com o mesmo sorriso e também lhe desejou que fosse feliz!
O Daniel deu a outra face e se o Juiz também tivesse embirrado com a saudação de despedida, ele continuaria sempre a dar a outra face….
Infelizmente, este não é o comportamento segundo o status-quo actual! Como já não era, quando Cristo deu a sua outra face!
Meditamos, especialmente quando estamos tristes e como se percebe nas palavras da Zilda, quando estamos sós, mas sozinhos, ainda que seja fácil estar, falta-nos algo, que nem sempre é fácil de obter! A meditação, por si só, é uma solução, a mais simples, a mais fácil e a mais pura! É o diálogo com a nossa consciência e a consolidação da nossa sabedoria. Há quem se socorra da fé para o conseguir, eu sinceramente, acho que o que importa é que se consiga estar bem, pela fé, ou por outra coisa qualquer, mas bem e isso consegue-se desde que se esteja tranquilo, em paz e em harmonia.

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