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Disseram-me, certa vez, que enquanto somos jovens vivemos muito no futuro. Planeamos, sonhamos, ambicionamos com paixão – e se há algo que magoa, eventualemente passará, pois acreditamos que o tempo avança. Acreditamos que o tempo avança pois vivemos no futuro, de tal forma que ele é, para nós, a utopia e o sonho; o mar infinito de possibilidades, o escape perfeito, a maior ilusão de felicidade. E então o futuro, a criação que na mente se desenrola, toma a forma da nossa realidade.

Disseram-me também que, ao envelhecermos, passamos a viver muito no passado. O explendor dos sonhos mais altos dissipou-se pelos sopros do tempo, então o êxtase da vida jaz nas memórias sublimes (e pela distância, geralmente mais belas). Por entre as experiências maravilhosas e as vivências apaixonantes o nosso pensamento vagueia – observa, sorri, e abraça com nostalgia. No passado vivemos com mais força; o passado é o refúgio, o além, a utopia.

Disseram-me ainda que, na verdade, no começo – na infância – vivemos primeiro no presente. Agora – é assim, para nós, cada momento. Quando estamos alegres sabêmo-lo pois nada mais interessa; quando estamos tristes vivêmo-lo pois a tristeza não é uma imposição do pensamento. Diria que, em certa medida, estamos inconscientemente mais conscientes de nós próprios – do nosso corpo e das nossas emoções – pois respondemos, sem medos, máscaras ou refúgios, ao que sentimos realmente, em cada momento. Respondemos ao presente. Respondemos ao agora. Pois é agora, sempre.

Onde está a autêntica felicidade por entre as lembranças do passado? Nos momentos em que embrenhávamos em novas experiências e nos abríamos ao presente. Qual a forma dos desejos para planos do futuro? Uma colagem de instantes perfeitos, sensações únicas, sentimentos estonteantes. Por um momento, sem viver no pensamento. Por um instante, aquietando o tempo. Agora.

Pela imaginação, os sonhos podem frequentemente parecer perfeitos. Pela distância intransponível, o nosso olhar vai apurando a perfeição do que guardamos na memória. Mas viver no presente é como saltar em queda-livre: quando só o agora importa, o corpo vibra e o espírito renasce. O toque mais doce e irresistível de viver no presente? A sua intensidade poderá ultrapassar em total grandeza qualquer utópico plano para o futuro, ou qualquer memória embelezada do passado. O presente é grande. O agora é grande. E se está tão próximo, por que o fazemos tão distante?

 

Isabel Pinto

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 08:00  Comentar

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