8.4.15

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Certo dia, quando me levantei pronta para mais um dia repleto de boas emoções, que eu sabia que me esperavam, desejei que esse dia ficasse marcado na minha história por ser um bom dia.

Ao final do dia, quando me deitei, deitei-me a chorar, de olhos bem abertos, em pânico pelas notícias que me deram sobre o futuro.

Finalmente adormeci… Quando acordei no dia seguinte, os olhos estavam inchados, escuros e com tanta incerteza no futuro.

Dia após dia, esperei serenamente pela data que me deram como ponto de referência. Até esse dia não poderia fazer mais nada senão esperar. Nada… Nesses dias só poderia mesmo deitar-me e acordar, dia após dia…

Esses dias custaram mas, gradualmente, fui-me apercebendo que enquanto esperava vivia um presente que me estava a fazer refletir, projetar, sonhar…

Em vez de custarem, e com a data cada vez mais próxima, os dias foram sendo cada vez mais intensos mesmo sem sair do meu sofá.

O dia chegou e com ele as boas notícias e o sentimento de missão cumprida.

Mas afinal nada terminou nesse dia, apenas começou!

A data limite foi ultrapassada, uma grande vitória foi conseguida, mas nada se resolveu.

Continuo à espera de outro dia, com projetos e sonhos, é verdade, mas continuo à espera…

Com esta espera fiquei a dar mais valor ao momento em que esperava, ao agora.

Para que me serve pensar num futuro? Para poder projetar e ter sonhos.

Para que me serve pensar no passado? Para me lembrar dos erros feitos e em tudo o que de bom aconteceu e ficar feliz.

Para que me serve pensar no presente, no agora? Para viver!

Agora que continuo à espera, não de uma data, mas de um acontecimento que me trará muitos outros, penso que estamos constantemente à espera e por vezes esquecemos de viver.

Tentarei viver o que tenho agora, pois o que eu estou à espera pode nem acontecer ou não da forma como eu idealizei. O que manda é o acaso, não se nos esforçamos mais ou menos. É certo que pode influenciar e muito, mas o que tiver que acontecer acontecerá sempre e nesse dia pensamos no agora e não no que já passámos ou idealizámos.

 

Sónia Abrantes

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 08:00  Comentar

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