16.2.14

 

Por vezes dou por mim a pensar “Será que sou eu que ando a remar contra a maré?”. Em certos momentos sinto-me completamente sozinha mesmo estando rodeada de pessoas. Ouço conversas e discussões e tento manter a distância porque tudo me parece estranho. Será que estou a ficar idealista?

Em casa dos meus pais e avós aprendi muitos valores com os quais tento viver sempre, pois acho que são realmente os corretos. No entanto, ao longo da vida tenho-me cruzado com inúmeras pessoas que não partilham desses valores e até têm outros diferentes, também aprendidos nas suas casas, com os seus pais e avós. Que direito tenho eu de pensar que os meus valores são os corretos e desvalorizar o que os outros defendem? Há algum código de valores universal? Facilitaria…

Quando falamos de ética, consideram-se também várias teorias, pois há quem defenda uma ética de maior bem para o maior número de pessoas, chegando até a pôr em causa a vida de um menor número de pessoas. Será isso correto? Mas é ético e carregado de valores.

Então, deparo-me com situações diárias em que os meus valores estão em contradição com os da maioria. Tento pensar que o segredo é tentar viver como acredito que deve ser: relacionar-me com os outros pensando de uma determinada maneira sobre eles e pensando sempre no seu melhor como pessoas únicas e individuais que são. Considero, à partida, que quem se cruza comigo vem com uma bagagem de valores que, certamente, serão diferentes dos meus e por isso tenho que respeitá-los e tentar viver com eles também, mantendo a minha bagagem e, até quem sabe, adaptar a minha visão tradicional às novas perspetivas com as quais sou confrontada através de outras pessoas.

Depois deste primeiro contacto com outras pessoas e valores, tento viver com eles da melhor forma e, aí é que está o grande problema, espero que as outras pessoas também me aceitem e respeitem da mesma forma. Posso dizer que não é frequente acontecer… As pessoas que se dizem carregadas de valores, cheias de palavras fortes de honra, fidelidade, e outras mais pesadas, são as primeiras a não ser flexíveis, que, no meu ponto de vista, seria a chave para uma cidadania que respeita as tradições de valores e ao mesmo tempo consegue encaixá-las no novo quotidiano com as novas mentes que surgem na sociedade contemporânea. A isto relaciono a religião, por exemplo. Tem mesmo que ser pesada e inflexível? Já são dois Papas a pensar e a provar que não. Será difícil os representantes da igreja e de associações religiosas perceberem que o seguro e inflexível nunca vingaram em novas sociedades? Basta olhar para a nossa história, basta ver as tradições.

Quando os meus valores estão a prejudicar outros e os levam a tratar-me mal, tento fazer ver que podemos conciliar tudo e levar a um final feliz. Mas, se mesmo assim os extremistas de valores, tradições e justiças insistirem que apenas a sua razão é a razão incondicional e se sentem ameaçados por uma mudança, retiro-me. Que fazer? Deixar que a vida trate de tudo da melhor forma, esperando que, qualquer que seja o caminho, leve a um bem maior para o maior número de pessoas, nunca deixando de acreditar que os meus valores estão corretos e que podem ser conciliados com os valores de outros. Afinal, não somos donos e senhores da verdade e o mundo tem milhões de cabeças sempre a pensar.

 

Sónia Abrantes

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:00  Comentar

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