15.8.14

 

Sol, calor, hora de almoço, cidade, mobilidade.

Paragem de autocarro. Autocarro chega. Pessoas entram. Menino entrou. Mãe entrou. Jorge também. Indigente também.

- Olha, o maluco também vai entrar! - disse menino. Mãe admoestou.

Jorge sentou. Indigente perguntou:

- Está ocupado?

Jorge disse:

- Não. – indigente sentou.

Viagem prossegue.

Indigente monologa. Indigente observa. Observa pé. Pé direito. Infeção nasce. Nasce no pé. Pé de indigente. Pé magro. Pé sujo.

Indigente monologa. Indigente observa. Observa mão. Mão direita. Golpe no dedo. Dedo indicador. Canivete. Canivete abre golpe. Golpe sangra. Indigente limpa. Indigente cuida. Cuida mão. Mão suja.

Viagem prossegue.

Indigente monologa. Indigente adormece.

Jorge vai sair. Jorge levanta-se. Jorge não pode passar. Caminho barrado. Pernas de indigente barram. Jorge olha indigente. Indigente dorme. Jorge toca perna do indigente. Indigente acorda. Indigente percebe. Indigente diz:

- Desculpe! – indigente afasta pernas.

Jorge passa. Viagem prossegue.

Lenço de papel. Lenço no chão. Chão que Jorge deixou. Indigente pergunta:

- Desculpe. Este lenço é seu?

Jorge responde:

- Não. Obrigado.

Dois passageiros. Outros dois. Levantam voz. Um:

- Olha-me este!

Dois:

- Se fosse dinheiro não perguntavas…

Indigente pergunta:

- Que têm com isso?

Resposta veio. Um:

- Não te estiques!

Indigente explica-se:

- Perguntei por educação, por gentileza, por cortesia, para ajudar. O lenço poderia ser do homem e fazer-lhe falta! Que fiz de mal?

Dois:

- Estás aqui, estás a levar um murro!

Paragem chegou. Autocarro parou. Jorge saiu.

Jorge pensou:

- Suspeito costume a bordo. Eliminem rapidamente suspeito. Sujo. Roupa rota. Cheira mal. Mexe consciências. Faz descarregar frustrações. Delinquente à força. Intolerável!!!

 

Fernando Couto

 

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