23.6.14

 

O luto aparece associado à perda e refere-se a reações depressivas de pesar. Tradicionalmente o luto traduz-se por uma vivência normal que aparece na sequência da perda de um “objeto” amado. Entenda-se aqui objeto amado como sendo, segundo A. Fernandes da Fonseca, um familiar, amigo, animal, ou objeto de estimação, reputação, etc..

Parece ser que, como seria de esperar, perdas inesperadas e de pessoas mais próximas e significativas são mais difíceis de superar e mais dolorosas. Nestas fases o suporte de familiares e amigos é essencial. Por outro lado o isolamento da pessoa enlutada tende a dificultar a sua aceitação e passagem deste período. O sentido de injustiça parece também influenciar a forma como o luto é vivenciado e aceite. A morte de uma criança e mortes repentinas, por exemplo por acidentes, tendem a ser menos aceites e o mundo e a vida pode ser visto como injusto e nada seguro.

Bastante conhecido e divulgado, aparecem-nos os estádios definidos pela Dr.ª Elizabeth Kubler-Ross, que inicialmente os usou para descrever os diferentes estados por que uma pessoa passa quando em final de vida, perto da morte, nomeadamente doentes terminais, mas que posteriormente foi emprestado a outro tipo de perdas. Os cinco estádios do luto são a negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Não necessariamente nesta ordem, nem é condição fundamental passar por todas as fases.

Podemos estender este conceito ao fim de um período significativo de vida onde grandes mudanças podem ocorrer que implicam perdas. Por exemplo, liberdade limitada ou alterações ao nível das responsabilidades como fim da adolescência ou casamento ou, no caso de criminosos que quando culpados ficam privados do estilo de vida anterior.

O luto patológico surge quando a vivência se prolonga e se intensifica no tempo gerando reações anormais de pesar que podem surgir imediatamente após o acontecimento desencadeador ou após um período de latência. Os sintomas habitualmente do tipo depressivo podem ser: tristeza, insónia, fadiga, medos, sentimentos de culpa e ideação suicida. Podem ocorrer alterações percetivas e comportamentais como o isolamento, hostilidade e agressividade.

Todos nós teremos já experimentado o luto e todos com certeza nos identificamos com algo do que aqui foi dito. Poderemos descrever o momento, os momentos, os dias e as semanas em que nos tiraram, arrancaram uma parte de nós, um pedaço da nossa alma, da nossa alegria, da nossa história? Que sentimentos invadem o nosso espírito? Como descrever a imensa tristeza que nos assola? O que dizer da sensação de vazio e de desalento indescritíveis? Ficam as memórias, os sorrisos e as palavras trocados e todos os segundos em que nada foi dito mas o silêncio foi partilhado.

 

Ana Teixeira

 

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