4.11.16

Cemetery-3345408.jpg

Foto: Cemetery - 3345408

 

Algumas considerações acerca de heranças (de alguém que não percebe mesmo patavina do assunto):

 

Herança Familiar - Complicado, para afirmar o mínimo. A primeira entrada no Google remete-me para uma página da DECO. Dou uma leitura rápida no texto explicativo que acompanha uma foto de uma mão com um porta-chaves em formato de casa, deitado numa palma aberta. Património. Herdeiros. Sucessão. Bens. Direitos. Dívidas. Funeral. Atos religiosos. Testamento. Administração. Liquidação. Perfilhar. Deserdar. Quota indisponível. Aceitação tácita e Deus me livre. O castigo que a morte trás aos vivos não acaba na dor emocional. Evidentemente que nem todas as mortes são iguais e, em muitos casos, o consolo do coração serve-se do que se deixou. Noutros porém, tal como refere o texto citado, a inexistência de um seguro de vida é basto motivo para desconsolar e responsabilizar quem cá ficou. Sim, já ouvi afirmar: “quando me for, pelo menos não deixo a ninguém as minhas contas”. Reconheça-se que, como último gesto altruísta, a coisa não está nada mal. Há quem faça muito menos naquela tendência final de acertar contas com a vida e com os vivos.

 

Herança Patrimonial - Advém da anterior ou é uma parte da mesma. Confesso que não sei. Julgo ser TUDO aquilo que se deixa. Acho que, existindo diferença para a primeira, este TUDO não tem de advir de um familiar. É o caso típico e frequente da fantasia, em que aquele milionário sem herdeiros deixa em testamento tudo ao seu fiel mordomo. Isto, claro, depois da namorada, 40 anos mais nova, ter gozado o seu devido quinhão.

 

Herança Económica - Soa-me a algo político ou empresarial. Ou a algo semelhante a bode-expiatório. No caminho diário para o trabalho ligo sempre o rádio na Antena 1. Tenho a tendência masoquista (claro que sou português) de ouvir as notícias da atualidade, como se gosta de dizer. Evidentemente que as noticias são as da atualidade. As que já foram notícias, na sua decrepitude tornaram-se história. Mas já estou a divagar. Parece-me então familiar a expressão. A sua tradução em bom Português é (independentemente da cor da boca partidária que a produz), “está tudo uma merda mas a culpa não é nossa”.

 

Herança Cultural / Social - Peço desculpa por misturar as duas, mas as fronteiras das expressões são de difícil destrinça. A malta que pôs um gato dentro de um pote, pôs o pote no alto de um poste, pôs a base do poste em chamas (mais ou menos isto, perdoem-me qualquer imprecisão de tão sublime quadro tradicional) provavelmente será um exemplo espetacular do primeiro caso. Mais espetacular do que o próprio espetáculo contudo, terá sido o facto de pelos vistos ninguém ter sido condenado por tal. Ora aí está talvez um bom exemplo do segundo caso. Já vem de trás no nosso país (herança social) que a vida dos animais não vale um chavo. Vá lá que isso aparentemente está a mudar. Exceto quando é a RTP a fazer uns trocos e “serviço público” com a transmissão das touradas.

 

Herança Genética - É como um encontro às cegas. Com sorte nunca mais o esqueces e até pode ser o ponto de viragem na tua vida romântica. Com azar nunca mais o esqueces e até pode ser o ponto de viragem da tua vida romântica. Ou como a roleta-russa. Mas já perceberam a ideia. Já aqui o escrevi várias vezes mas aqui vai mais uma. Trabalho há 15 anos com pessoas com deficiência intelectual e/ou multideficiência. O que posso dizer? A herança genética é tramada. Síndromes, mais síndromes e mais síndromes. Cromossomas, tinto, coca. Má nutrição, bagaço, cavalo, tabaco. E por aí fora. Diagnósticos difíceis de pronunciar, muitos deles com nomes de uns senhores estrangeiros. Não interessa muito. O rótulo é o mesmo, no final.

 

Mas aproveito para deixar à vossa consideração o seguinte: o rótulo não tem de existir mais que o necessário, dado que rótulos todos temos. Olhem para todas as pessoas como isso mesmo. Pessoas. Umas precisam de mais apoios e outras de menos. Todos temos direitos e deveres. Não deixem que a herança cultural e social de olhar para alguns como “coitadinhos” tolde o vosso juízo crítico da justiça social e relacional.

 

Herança Indivisa - Não faço ideia do que se trata. Nem quero saber. A não ser que dê jeito saber caso herde alguma coisa que se veja.

 

Rui Duarte

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 09:30  Comentar

Praia | Cabo Verde

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Estefânia Sousa Martins

Fernando Couto

Fernando Lima

Jorge Saraiva

José Azevedo

Landa Cortez

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Vanessa Santana

Novembro 2016
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
12

13
15
17
19

20
22
24
26

27
29


Arquivo
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
Muito agradecemos o seu comentário e as suas propo...
Muito linda a canção. Obrigado por compartilhar!
Parabéns pelo blog, gostei muito da maneira como e...
Obrigado SAPO.CV!!
Olá :)Este post está em destaque no "Cenas na net"...
Presenças
Outras ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: