26.9.14

 

Todos sabemos que Portugal é um país curioso. Curioso, por vezes não no sentido cómico da coisa, mas de uma forma entristecedora. Os exemplos são múltiplos, diários e, sinceramente, faço algum esforço por não os acompanhar. Porque sou co-cidadão, porque sou pai com o dever de educar os meus filhos para a cidadania e porque assim é penoso observar certos fenómenos recorrentes.

Não existe educação na escola, na política, no desporto, na televisão, na rua, na família. Não se respeitam as crianças, os velhos, os deficientes, as mulheres. As crianças não respeitam os velhos, o professor, o pai e a mãe. Não se respeitam passadeiras, os lugares para deficientes físicos, as filas para as grávidas e idosos. Não existe educação no geral. Cada um por si e no máximo pelos seus.

 

No primeiro dia de aulas caminhava na rua quando passei por um grupo de miúdos com 14/15 anos. Não sou um velho e não foi pela idade que fiquei chocado com o que ouvi. Fiquei, porque tenho um filho daquela idade. Em voz alta um rapaz atirou que uma das miúdas era “uma puta”. Assim… tout court… A visada responde com um “tu é que me beijaste”. Onde se colocou a esperada e veemente indignação ao termo utilizado? Onde se colocou o respeito próprio? Ao de leve, ao largo. Depois desta troca, risos do grupo. Tudo normal, portanto.

 

Na frente do prédio onde habito tem sido habitual aparecerem sacos do lixo no parqueamento. E vidros de frascos que podem cortar pneus e crianças. No lado direito do prédio onde habito existe um contentor para o lixo. Questionei o lojista do rés-do-chão, mas este não viu nada. Questionei os vizinhos da frente sem sucesso. Coloquei um aviso no hall de entrada do prédio e o mesmo desapareceu no próprio dia. Ontem, no local habitual, estavam três sacos do lixo. Um deles tinha documentação. E cópias de um CV. Licenciatura. Erasmus em Itália. Anos de experiência. Trabalha num Hospital. A vizinha de cima não sabe afinal o que é um contentor para o lixo…

 

Apenas dois exemplos. Atuais. De duas gerações diferentes. A minha e a dos meus filhos. Não há educação. Não há respeito. Não se zanguem comigo por não ver as notícias e os programas da nossa televisão. Não se zanguem comigo quando digo sem pudor que temos exatamente o que merecemos.

Portugal é um país que com a pressa de apanhar um comboio Europeu passou de analfabetos que não sabiam ler o bilhete, para Engenheiros e Doutores que supostamente deveriam saber desenhar as linhas férreas. A educação, essa, não constava dos currículos académicos…

 

Rui Duarte

 

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