28.3.14

 

Não acho que esteja a ficar velho. Muito menos o sinto assim... O tempo é relativo como toda a gente saberá. Contudo, é também certo que o tempo é exato. Exato como um cronógrafo com certificado COSC. E uma máquina dessas tem um bom valor...

Mas existem outros valores, por certo, nos quais não se colocam etiquetas de preço por muito fancy que possam ser. De repente lembro-me de uma publicidade genial que retratava isto mesmo. Para o amor não existe preço, como, seguramente, não existirá para a felicidade. Para a verdadeira amizade. Para a compaixão e solidariedade... Apenas exemplos. Lá está, para tudo o resto temos o famoso cartão de crédito.

E já que falamos de valores, temos, forçosamente, de abordar as questões relativas à sua aquisição e guarda. Também podemos abordar a valorização dos mesmos. Dou o meu exemplo:

Os meus pais educaram-me pelos valores que julgaram acertados. Provavelmente fizeram-no à luz do que lhes foi transmitido pelos seus pais. E estes, por aí fora. Serão então os valores geracionalmente transmissíveis? Em certa medida, penso que sim. Claro que a contemporaneidade se encarregará de os acertar à época e, claro, cada família terá as suas “ovelhas ranhosas”.

Que valores foram então esses? Arriscaria escrever que, fundamentalmente, se alicerçam num modelo judaico-cristão. Assim como eu, talvez a esmagadora maioria dos meus concidadãos.

Se vivemos efetivamente pelos valores que nos foram transmitidos isso será outra história (e se tal não acontecer, nada invalida a sua transmissão, digamos... hipócrita). Não nos esqueçamos também que Portugal continua a ser um bastião do Cristianismo, nos seus variados dogmas e correntes. Tal significa que o modelo de interação social está profundamente tocado e imbuído de tal. 

Ora, existem então assim dois bancos de valores que, não sendo propriamente constituídos das mesmas “carteiras de produtos”, mantêm uma parceria próxima e algo resistente ao tempo (sociedade portuguesa e sociedade familiar).

Com certeza que poderão argumentar com outras sociedades, logo outros bancos, e é lícito que o façam. A sociedade escolar, por exemplo. Contudo, mesmo estas derivam de uma base interativa familiar e com manifesta comunicação bidirecional. Os pais (ou cuidadores) fazem a escola e, por sua vez, a escola faz os pais. Temos então que os valores crescem connosco, através da família, da escola e por aí fora.

Penso que ninguém discordará que a sua guarda decorrerá durante a existência individual e a dos que, sobre os quais, teremos responsabilidade direta de formação desenvolvimental.

E quando é que para a sua aquisição? Honestamente não sei. Mais do que aquisições posteriores a esse movimento desenvolvimental poderemos falar de aprimoramento do mesmo. Ou da sua valorização.

 

Rui Duarte

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:00  Comentar

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