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Boa noite, vejo-te cansado, esgotado até… as tuas mãos trazem marcas de um trabalho pesado… o teu uniforme sujo e gasto perde para ti, pois o teu eu consegue ainda sentir-se mais gasto. Quatro estações repetidas infinitamente até à exaustão, durante as quais algo ou alguém fez-te esquecer que vales muito mais do que apenas a espera pelo final do dia… um final que dará início ao final de amanhã... mas ainda vejo aí dentro muito do que eras… muito do que te fará lutar por um novo início… um merecido início onde serás rodeado das palavras “Justiça”, “Mérito”, “Valor”, “Acreditar”, “Vencer”.

Quanto a ti… para onde viajou o sorriso que outrora te iluminava… naquele tempo de estudos, de aspirações e de planos futuros? Sob as tuas quarenta primaveras, sob o teu uniforme cinzento, igual a outros tantos, sei que ainda moram a determinação e o sonho por agora adormecidos. Não te sentes viva, sentes-te como uma máquina em plena linha de produção… rotinas repetitivas, sem espaço a opinião… sem lugar a sonhar ou a mostrar a quão valiosa artista poderias ser… se ao menos te deixassem viver.

Sim, utilizei a palavra artista… o que chamar ao fruto do nosso suor, senão uma forma de arte. Sei que não cantas, nem sequer me acompanhas numa dança… e tu, sei que os únicos quadros que pintas são as fachadas das casas que constróis… mas serão as telas em branco que utilizam para executar a vossa obra, menos valiosas que a tela de um qualquer pintor? Certamente que não, pois toda a forma de arte começa para todos de forma igual… uma folha em branco, uma tela despida, uma ideia ainda inexistente.

O homem da gestão, a doce professora que ensina, o senhor conhecido por consertar todo o tipo de calçado, o experiente eletricista… alguns pintam, outros tantos cantam, mas todos sem exceção encantam, pois todos somos artistas… todos produzimos arte.

Não deixem de acreditar no vosso poder de criação… não deixem que tratem o resultado do vosso trabalho como uma arte menor… não deixem que vos tratem de outra forma que não como artistas. Sonhem, lutem, sejam incansáveis, sejam o maior artista que alguma vez conheceram… valorizem-se e façam-se valorizar… e se procuram novas formas para expressarem o vosso valor, não se deixem vencer pelo arrastar dos dias… se já contam muitas primaveras, muitas mais terão ainda para contar… ainda é cedo para pensar que é tarde.

Encontrem a Arte que existe em cada um de vós.

 

P. Melo

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 08:00  Comentar

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