26.10.16

Mom-Unsplash.jpg

Foto: Mom - Unsplash

 

Quando saímos com os nossos pais, é frequente cruzarmos caminho com pessoas que já não encontramos há algum tempo. E passamos todos pelo mesmo: paramos para duas de treta e cria-se ali aquela conversa de circunstância, sem mais nem porquê, que passo a descrever:

 

(depois de sabermos como a pessoa está e como vai a vida)

- É a tua filha?

- É, sim.

- Que idade é que tem?

E a filha atira um número com prontidão, ao que o senhor/a responde:

- Ai está tão crescida! Como o tempo passa…

- O tempo passa por nós, também passa por eles.

- Ainda me lembro dela pequenina, quando a levavas a x sítio. É a cara chapada do pai, não é?

- Não há consenso: alguns acham mais parecida com o pai, outros mais parecida comigo (mãe).

- Ai não! É pai! É igualzinha ao pai!

 

Invariavelmente a conversa é sempre a mesma, apenas muda o interlocutor com quem nos cruzamos. E no decorrer da conversa nós, filhos, ficamos com aquela cara sem graça a achar que temos o dom da invisibilidade, qual manto do Harry Potter, pois travam aquela conversa como se não estivéssemos presentes.

As opiniões divergem e, sinceramente e fisicamente falando, não me acho parecida nem com o meu pai, nem com a minha mãe. Reconheço em mim (e aprecio até!) pequenas caraterísticas físicas de um e de outro, mas a herança genética não é algo que tenha demasiada importância. (Lembro-me de quando era mais nova questionar se seria adotada! Parvoíces!) Passaram anos: mudei, obviamente; apesar de a imagem do espelho não me apresentar, ou de não fazer notar aos meus olhos, as diferenças entre eles.

Não sei quanto de mim veio do meu eu, da minha essência; em igual dúvida, não sei quanto de mim foi herdado dos meus pais e avô. Reconheço-me na família Ribeiro tanto quanto da família Sousa, mas de diferentes formas.

Vejo em mim a força, o sentido prático, a determinação, a perseverança e o sentido de humor (e a gargalhada) da minha mãe; revejo, como que refletido no espelho, a sensibilidade, a bondade, o lado afetivo e a capacidade de sonhar do meu pai. E a teimosia e “resmunguice” de ambos! A timidez, agora que penso nisso, veio mesmo de mim.

Como essas caraterísticas coexistem? Lamento, não sei também! Talvez entrem em conflito, não raras vezes; ou talvez tenha herdado o melhor de dois mundos. Os meus dois mundos. E é essa a minha maior e melhor herança: os meus dois mundos!

 

Sandra Sousa

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 09:30  Comentar

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