20.4.15

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”É viver um dia de cada vez”. Cada vez mais me tenho apercebido que digo, com mais frequência, esta frase. “É viver um dia de cada vez”. Não fosse isto estranho, vindo de alguém que, como eu, vive pela ânsia do amanhã, mas também pelo querer do agora. Um turbilhão de angústia no agora, projetada também para o futuro. E o desfrute fica para trás. “É viver um dia de cada vez”. O agora determina um estado do tempo que nos faz pensar num antes e num depois. Isso condiciona-me. E o agora acaba por ser um não viver. O passado faz de mim o que sou hoje. Influencia, mas não determina o que serei amanhã. Esse amanhã que tanto me atormenta, pelo medo, pela incerteza. Ainda me dizia o meu pai, num dia destes: “Pensas e projetas demasiado o futuro”, no sentido em que me preocupo demais. Disse-o pela minha ansiedade, pela minha insegurança, creio eu. A frase ficou na minha mente. A verdade é que ele tem razão. O futuro não corre, a maior parte das vezes, como o planeado. E eu planeio demasiado: a fazer um ato, que determinará outro, que acaba por não ser determinado. E, nessa ânsia pelo futuro, o presente acaba por se esvair, sem ser aproveitado como deveria. “É viver um dia de cada vez”, amanhã logo se vê. Vou dizendo, mais para me convencer a mim própria, do que aplicado à realidade dos meus dias. Desfrutar do agora, sem a aflição de um ontem e de um amanhã. Mas, tratando-se de um instante, não é o agora uma sucessão de antes e, simultaneamente, de depois? O cheiro das flores que nos trazem memórias felizes, saborear o pão quentinho com manteiga, que acabou de sair, a pausa do cigarro, expelir o fumo devagarinho… O caminho é, cada vez mais, nesse sentido. O meu, pelo menos… Estou a aprender a viver nessa demanda. Futuro é algo lá longe, difícil de prever. O agora não é mais do que um instante entre aquilo que já não volta e o que há de vir. Nesse instante, vivamos!

 

“Quando, Lídia, vier o nosso Outono

Com o Inverno que há nele, reservemos

Um pensamento, não para a futura

Primavera, que é de outrem,

Nem para o Estio, de quem somos mortos,

Senão para o que fica do que passa –

O amarelo atual que as folhas vivem

E as torna diferentes.” Ricardo Reis

 

Sandra Sousa

 

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