29.9.14

 

Quando era miúda passava as minhas férias na aldeia com os meus avós e os meus primos. Era sempre uma alegria – brincar o dia todo, andar no pinhal ou no monte à solta, ir tomar banho ao rio ou nos tanques de água dos campos de cultivo. Fazíamos muita coisa, sempre juntos. Também tínhamos as nossas tropelias, as nossas cumplicidades, os nossos segredos de não contar quem fez o quê.

Éramos educados, obedientes, não faltávamos ao respeito aos mais velhos, fazíamos o que os avós, pais e tios nos diziam para fazer e nem pensávamos em ultrapassar determinados limites. Por isso, ninguém nos vigiava nem andava atrás de nós. Fazíamos tudo em grupo (ou grupos), sem adultos por perto.

Agora, há gerações novas de primos que brincam na aldeia. Filhos dos que costumavam lá brincar. Crianças irrequietas, que fazem barulho, que gritam muito, que correm dentro de casa e fazem muitas asneiras. Crianças que não comem nada e fazem birras nas horas das refeições. Crianças que não pedem autorização para sair da mesa e, às vezes, nem se chegam a sentar para comer. Crianças que não obedecem aos pais e fazem o que querem.

Crianças mal-educadas, porque educadas pelos pais de agora que não sabem educar, que não sabem impor regras, que não sabem ensinar a pedir autorização para sair da mesa. Pais que não têm mão nos filhos e não sabem obrigá-los a fazer o que eles querem que seja feito; não conseguem que os filhos não façam asneiras das grossas e não conseguem impedir que eles passem os limites que eles não passavam quando tinham a idade deles.

São uns pais miseráveis, não sabem fazer nada nem sabem educar. “No nosso tempo não era assim!”, “Os meus não faziam isto!”, “Tem algum jeito?”, “Havia de ser comigo, andavam na linha!”.

Mas como podem estes pais ser tão miseráveis se foram educados por uns pais tão exemplares? É difícil compreender!

Provavelmente estes pais terão formas diferentes de educar, terão outras estratégias. 

Talvez estes pais tentem ouvir e dialogar, sem impor e obrigar. Estes pais castigam e repreendem, mas fazem-no de forma diferente. Se calhar estes pais dão espaço para a personalidade dos filhos, para que os gostos deles também contem. Se querem vestir uma roupa diferente daquela que a mãe escolheu para eles naquele dia, vestem. Talvez não haja problema. Talvez o mundo não acabe se a criança sair da mesa sem pedir autorização.

As crianças têm personalidade, as crianças fazem barulho e correm dentro de casa, as crianças ficam tão entusiasmadas com a brincadeira que não se controlam e gritam de vez em quando. As crianças fazem asneiras, tentam ultrapassar os limites, porque estão na altura de o fazer. As maneiras como se lida com isso podem ser muitas e variadas. E, sendo assim, se se opta por uma em detrimento de outra não significa que se esteja a fazer mal, a educar mal, a não impor respeito ou a ser muito brando. Significa que se escolhe outro caminho, significa que se faz de forma diferente, mas não necessariamente errada.

A educação é muitas vezes associada à imposição, ao castigo e ao temor. Mas não poderá a educação ser diálogo, ouvir e explicar? Não deixa de haver respeito por causa disso, mas sim um respeito diferente, um respeito construído em vez de imposto.

Se educar é dar ferramentas para que depois se faça bem sozinho e de forma autónoma, então os pais que não são de agora deveriam estar felizes e orgulhosos, porque criaram filhos que aprenderam e que agora são pais que fazem autonomamente o que acham melhor.

Foram pais que souberam educar. Agora têm de saber deixar educar. E têm de saber ser construtivos na ajuda que oferecem, porque isso constitui também uma boa forma de educação.  

 

Patrícia Leitão

 

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26.9.14

 

Todos sabemos que Portugal é um país curioso. Curioso, por vezes não no sentido cómico da coisa, mas de uma forma entristecedora. Os exemplos são múltiplos, diários e, sinceramente, faço algum esforço por não os acompanhar. Porque sou co-cidadão, porque sou pai com o dever de educar os meus filhos para a cidadania e porque assim é penoso observar certos fenómenos recorrentes.

Não existe educação na escola, na política, no desporto, na televisão, na rua, na família. Não se respeitam as crianças, os velhos, os deficientes, as mulheres. As crianças não respeitam os velhos, o professor, o pai e a mãe. Não se respeitam passadeiras, os lugares para deficientes físicos, as filas para as grávidas e idosos. Não existe educação no geral. Cada um por si e no máximo pelos seus.

 

No primeiro dia de aulas caminhava na rua quando passei por um grupo de miúdos com 14/15 anos. Não sou um velho e não foi pela idade que fiquei chocado com o que ouvi. Fiquei, porque tenho um filho daquela idade. Em voz alta um rapaz atirou que uma das miúdas era “uma puta”. Assim… tout court… A visada responde com um “tu é que me beijaste”. Onde se colocou a esperada e veemente indignação ao termo utilizado? Onde se colocou o respeito próprio? Ao de leve, ao largo. Depois desta troca, risos do grupo. Tudo normal, portanto.

 

Na frente do prédio onde habito tem sido habitual aparecerem sacos do lixo no parqueamento. E vidros de frascos que podem cortar pneus e crianças. No lado direito do prédio onde habito existe um contentor para o lixo. Questionei o lojista do rés-do-chão, mas este não viu nada. Questionei os vizinhos da frente sem sucesso. Coloquei um aviso no hall de entrada do prédio e o mesmo desapareceu no próprio dia. Ontem, no local habitual, estavam três sacos do lixo. Um deles tinha documentação. E cópias de um CV. Licenciatura. Erasmus em Itália. Anos de experiência. Trabalha num Hospital. A vizinha de cima não sabe afinal o que é um contentor para o lixo…

 

Apenas dois exemplos. Atuais. De duas gerações diferentes. A minha e a dos meus filhos. Não há educação. Não há respeito. Não se zanguem comigo por não ver as notícias e os programas da nossa televisão. Não se zanguem comigo quando digo sem pudor que temos exatamente o que merecemos.

Portugal é um país que com a pressa de apanhar um comboio Europeu passou de analfabetos que não sabiam ler o bilhete, para Engenheiros e Doutores que supostamente deveriam saber desenhar as linhas férreas. A educação, essa, não constava dos currículos académicos…

 

Rui Duarte

 

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24.9.14

 

A educação pode ser sinónimo de afeto, atenção, acompanhamento, definição de uma moral e de inculcação de valores. Cabe de facto aos pais, na base, ou a outro, ajudar a criança a definir um caminho a seguir. Educar pode ser sinónimo de providenciar o melhor desenvolvimento pessoal possível para que as crianças se tornem adultos felizes com sentido de cidadania.

No entanto, a nossa cultura atribui à educação, num sentido mais lato, a instrução escolar e académica. Quanto mais preparado, mais conhecedor de matérias várias e complexas, e quanto mais alto o nível, melhor. Daí que o enfase esteja em boas escolas, de preferência privadas que constem no ranking nacional, bons explicadores, bons centros de estudo, quanto mais caros melhor, e boas universidades.

A sociedade enfatiza a necessidade de termos bons estudantes, com excelentes médias, porque desta feita teremos bons profissionais. Não se pergunta: como estás, como te sentes? Pergunta-se: Quanto tiraste no exame? Como está a escola? Mas será que médias de 19 valores significam bons profissionais? Será que termos médicos, com um percurso universitário exemplar, significa termos um serviço de qualidade? Pessoalmente já me deparei com alguns sem o mínimo de sensibilidade e humanidade. A pergunta urge: Quero um bom profissional ou um sensível? A resposta é pronta: Quero um bom profissional com sensibilidade e humanidade. Pode a sociedade, com todos os seus agentes educativos, ensinar e preparar jovens adultos em todas as vertentes?

Este tipo de cultura social que enfatiza o “eu” incitando as crianças desde bem cedo a serem as melhores em todas as atividades, aumenta o risco da sua desumanização devido ao elevado nível de competitividade que lhes é imposto pelos adultos que colaboram na sua educação.

Pode esta cultura, excessivamente competitiva, contribuir para diminuir os laços afetivos das crianças, crescendo e tornando-se adultos infelizes, contribuindo dessa forma para uma sociedade descentrada dos seus valores emocionais e mais infeliz.

Num artigo de André Jegundo, de 2012 a propósito do Relatório Mundial sobre Felicidade, lê-se: “Nem felizes, nem deprimidos: os portugueses “vão andando””. Quando deixaremos de ser “mornos”? Nem “quentes”, nem “frios”?

 

Ana Teixeira

 

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22.9.14

 

Recordo-me bem do meu primeiro dia na Primeira Classe. Lembro-me, também, que o meu amigo Bernardo da turma do infantário, que tinha um primo que era mais velho que nós e que nos avisou que “a primeira classe é muito difícil!”. Lembro-me tão bem como se fosse hoje: a minha mãe enorme (aos meus olhos e centímetros), a sua mão a levar a minha, pequena, até à porta do fundo do corredor; aquela porta lacada (e lascada) de branco, quatro vitrais tapando a vista para uma imensa sala com paredes cor de azeitona, duas grandes janelas de cima abaixo virados para o recreio, e 36 alunos prontos para a próxima etapa das descobertas.

O momento, na minha memória e alma, é tão cerimonioso como outro sacramento qualquer. A intensidade é a mesma que o cheiro a jasmim que exalava por todo o estabelecimento de ensino onde estudei durante 14 anos. Assim como as freiras vestidas de negro, molhes de chaves à cinta, olhar circunspeto. Algumas não eram assim. Tantas eram mais que isso… A diretora era a Ma Mére… E era mesmo.

Mas não poderei esquecer esse mesmo dia e todo o peso de um cruxifixo por cima do quadro de ardósia, um Cristo – pobre Cristo de costas largas – que nos ensinaram a temer e a pensar “Se faço asneiras ele lixa-me”. As revistas pousadas na secretária, de teor cristão (e nós ainda sem saber ler)… E a cabeleira cor-de-canela dela.

A primeira vez em que verdadeiramente a minha mãe me deixou a alguém como quem deixa uma filha a outra mãe. E ela, a minha professora da minha infância, tinha uma cabeleira cor-de-canela preciosamente penteada em caracóis, uma bata imaculada e passada a ferro, sem vincos. Um sorriso nos lábios e nos olhos. Uns óculos que deixavam, na mesma, transparecer das maiores genuinidades que conheci em toda a minha Vida.

Albertina, era ela. Casada com o Ensino, sem réguas nem palmadas. Todas as manhãs, nas tenras manhãs de 1985, fazia connosco meditação – num colégio franciscano. Por todas as vezes que existia uma asneira, existia uma compreensão – autoritária, também, mas de voz doce. Nunca castigava. Reconhecia e reforçava. Tinha uma paciência de Jó com a minha matemática e com a Marta, a minha colega de carteira que passava a vida a adormecer. Sorria a todos. Ensinara já o meu tio, acarinhava-me como se fosse da minha família. Minha e dos restantes 35 mirins que por lá andavam. Guardo saudades desses tempos como quem come cerejas: quando vem uma recordação vem mais uma e outra, bem direta do coração. Como a minha professa ainda está. Em mim e em tantos.

Saiu do estabelecimento em discordância – ironia das ironias – com aqueles propósitos franciscanos. Mas dela mantive sempre contacto. Foi através dela que conheci o parceiro da minha vida, o companheiro dos meus dias atuais, outro colega de carteira que guarda o mesmo afeto que eu. Ficou feliz quando soube do nosso casamento e da herança filial que já temos. E a herança dela, involuntariamente e inevitavelmente, é passada para o nosso filho.

Perdoem os entendidos a minha homenagem bacoca. Educação é um tópico tão vasto, puxa sempre para a nossa intelectualidade. Mas parte da minha Educação vem dela: aquilo que sou, os meus princípios, a minha moral, a minha consciência; tudo terá um dedo dela. E as palavras saíram-me espontaneamente neste pedaço de texto.

E porque aquilo que damos, aquilo que criamos, aquilo que educamos, vem também de quem nos dá e de quem nos deu. Sobretudo quando é dado com a alma inteira.

 

Sofia Cruz

 

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19.9.14

 

Foi em 2001. Eu tinha trinta e três anos e a convicção plena de que já sabia tudo sobre a vida. Acontece muito, penso eu, ou pelo menos a mim aconteceu-me. Sabia tanta coisa… agora cada vez sei menos. Mas naquela altura, sentia que o mundo era meu e que tinha descoberto qualquer coisa que escapava a todos. Por vezes, a arrogância não é mais do que ignorância e a ignorância não é mais do que ingenuidade. E ingenuidade é apenas ainda ter muito para aprender e não saber disso.

Estávamos em Setembro e eu viajava de carro pelos States, em pleno Setembro de 2001, logo a seguir aos atentados. Estava de férias e sem rumo certo, a ir à deriva dos acontecimentos por uma América que sempre quisera conhecer. Tirando as apreensões a considerações próprias do momento e a inevitável vontade de fazer uma análise sociológica e pretenciosa daquele povo, colocado naquele momento impossivel de acreditar, para mim estava tudo bem. Tinha respostas para tudo.

Descía a costa desde São Francisco até Los Angeles, pela famosa Highway 1 cheia de curvas e beleza. A noite tinha sido passada algures em Big Sur. Onde tinha calhado, mas de encontro aos meus desejos. Demasiado Jack Kerouac, presumo. Eram sete da manhã e havia que seguir viagem. O sol tinha acabado de nascer, estava uma luz magnífica.

Não havia onde tomar o pequeno-almoço e eu entrei numa pequena cabana debruçada sobre o Pacífico, uma espécie de mercearia local, a única à vista por ali, à procura de algo para comer. Enquanto tentava decidir-me entre um muffin fat-free, ou all-brain, ou “normal”, e perceber qual era a diferença entre eles e qual ia melhor com uma taça de café americano, ouvi uma voz. Alguém me dizia olá e perguntava de onde era. Eu não sou famosa pela minha simpatia e sociabilidade, muito menos de madrugada e antes do café. Dirigir-me a palavra nessas condições é quase loucura. Mas os americanos não parecem conhecer os perigos dessa interpelação e qualquer coisa naquela voz me deu vontade de olhar, estimulou os meus sentidos.

Olhei. Era um senhor de, calculei eu, uns sessenta e muitos anos. Afro-americano, como se diz por aqueles lados, se calhar com mais idade porque eu não sou muito boa nesses cálculos. Tinha uma voz calma e um sorriso contagiante e, em vez de me parecer um desconhecido metediço, pareceu-me só um amigo de longa data que reencontava ali e com quem tinha que falar, por algum motivo. Expliquei-lhe que era portuguesa, do Porto; que estava de férias e que lamentava muito o que se tinha acabado de passar. Que, se não fosse isso, estava a adorar as férias e que Big Sur era tão magnífico quanto sonhara.

Ele respondeu que sabia onde Portugal era (é perto de Paris, não é – para um americano, por acaso é mesmo. Eu disse que sim). Ele explicou que tinha um sobrinho a estudar em Paris. Trocamos mais meia dúzia de palavras, eu fui pagar e disse-lhe que tinha que ir embora mas que tinha gostado muito de o conhecer.

Ele sorriu para mim.

- You go now, girl. And enjoy your life, because it’s precious.

Eu sorri de volta, “thanks I will, stay well”, enquanto saía, e ainda ouvi novamente, “enjoy your life”.

Nunca mais o vi, às vezes duvido se foi real, não me recordo sequer como se chamava. Mas o que é certo é que, quando me vou abaixo, quando estou lá no fundo do poço, vejo-me de novo naquela falésia, numa cabana rústica, com aquela luz de início de dia em que tudo é possível e ouço aquela voz a dizer-me, basicamente, para ser feliz todos os dias.

Atualmente só sei que nada sei. Mas há uma coisinha que eu sei: aquela foi a lição mais importante da minha vida.

 

Dora Cabral

 

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17.9.14

 

Com o conhecimento a duplicar a uma velocidade tão vertiginosa, estaremos nós destinados à ignorância perpétua?

Este poderia ser o mote deste artigo, mas permitam-me que não me centre no conhecimento (saber), senão no ser, o qual, na minha visão, é o derradeiro objetivo da educação.

Devo confessar que o tema é muito especial para mim, e deveras relevante para a Humanidade no seu todo. De modo que, não foi fácil decidir-me por um direcionamento autoexpressivo fiel à temática. Depois, dei-me conta que estava a sublimar em demasia o enquadramento deste artigo… até que iluminou-se, na minha mente, um esclarecimento importante: a educação é antidogmática. É uma exploração construtiva, reveladora e muito sustentável. Os filósofos gregos foram, talvez, os grandes professores da Humanidade ao nos deixarem um legado de reflexão e descoberta da verdade. Esta, obviamente, limitada no tempo e na conceção, pois sempre surgirão ideias mais fidedignas para retratar uma dada realidade. A educação é, por isso, dinâmica.

De modo que vou cingir-me a um texto informativo, possibilitando a construção única e individual do conhecimento a partir de cada um dos que leem.

Conhecer a origem das coisas é, e sempre será, pertinente, pelo que deixo um link com algumas ideias sobre o assunto http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_educa%C3%A7%C3%A3o. Penso que educação é também a capacidade de aprender a pensar de uma forma mais abrangente, pelo que será útil pesquisar alguma informação sobre pensamento crítico. Ir da analogia, por exemplo, até debruçarmo-nos sobre como o debate pode mudar as nossas vidas (http://www.youtube.com/watch?v=WJaMtU1P-3w).

Ler “O elemento”, de Ken Robinson, desconstrói qualquer ideia que tenhamos do que devem ser políticas educativas.

A seguir, claro, não podemos deixar de lado as teorias, filmes e documentários polémicos, aqueles em que, quando assistimos, passamos os primeiros 34 minutos a contra-argumentar com o autor, resistindo veemente ao que está a ser passado pois, convenhamos, é insuportável largar ideias tão bem construídas e que se encaixam perfeitamente no que julgamos saber.

Mas, a cereja no topo do bolo, é visitarmos uma página como: http://www.brainpickings.org/ e corroborarmos que o simples dá trabalho, mas vale muito a pena! Aliás foi uma inspiração para a escrita deste artigo. Carpe diem!

 

Marta Silva

 

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15.9.14

 

“O melhor presente que um pai pode oferecer ao seu filho, é educação”, terei ouvido há bastantes anos atrás e nessa altura duvidei do seu alcance, não pela idoneidade do emissor, mas sim pela força circunstancial, minha ignorância, limitação concetual e até mesmo ingenuidade. Nos dias que correm, percebo a importância deste investimento estratégico para a humanidade. Esta informação, vinda de forma fria, erudita e segura, soou mais a um conselho do que a uma repreensão ou castigo. Como duvidar desta velha máxima se, mais tarde vim a saber que a autoria deste pensamento é atribuída ao maior defensor do satyagraha, ativista indiano e pensador Mahatma Gandhi?

Na altura obedeci e conservei esta orientação estratégica, a par de tantas outras que a complementavam e cedo pude perceber o alcance desta mensagem, a intenção e exigência contratual implícita a este quadro, como condição suficiente e necessária para se manter um equilíbrio social são entre ambos.

“Se alguém está hoje sentado à sombra de uma árvore, é porque alguém, tempos atrás, plantou a árvore ali”, Warren Buffett, notável e erudito investidor financeiro, salienta a eficácia da educação como um sacrifício que proporciona rendimentos equivalentes e superiores a longo prazo. Educar é o processo de transmitir os valores absorvidos ao mundo em seu redor, para os seres animados e inanimados, a forma como contemplamos e cuidamos de nós, do nosso semelhante, dos seres vivos em geral e da natureza, num ato contínuo do exercício da cidadania, em cumprimento da nossa obrigação moral de dar em troca ao mundo aquilo que dele recebemos. Só dessa forma estaremos a contribuir para a criação de riqueza social perpétua, mutuamente vantajosa, num exercício de empreendedorismo social (assistência + lucro), num vasto movimento altruísta e solidário de emancipação da nossa cidadania. Afinal, quando educamos aprendemos ao dobro e o feedback torna-nos homens novos, preparados para os desafios do amanhã, quebramos as barreiras da aprendizagem e o status quo.

Posicionando-se como um dos pilares sociais críticos de edificação de uma sociedade próspera, a par da saúde, a educação joga papel relevante na formação do Homem, sobretudo na disseminação de valores e atributos como sejam know-how, know-why, saber ser, saber estar e acima de tudo saber reconhecer que nada sabe e que o conhecimento é infinito e linguagem universal da verdade.

Todos nós partimos involuntariamente de um estado bruto, mais a nossa predisposição para a socialização, onde recebemos valores de um conjunto de pessoas e experiências adquiridas em diversos contextos que nos interpelam ao longo da vida. Dependendo da atratividade e destino de cada um, os valores são discriminadamente direcionados do lado da oferta ou da procura, resultando em marcas profundas e distintas, daí a diversidade acentuada entre as pessoas que é catalisada pelas influências que elas sofrem, tornando-as elemento único.

O poder da educação, exercido através da comunicação e exteriorização de suas ideias, é uma das ferramentas mais importantes para a socialização num mundo cada vez mais globalizado e industrializado, um verdadeiro passaporte com visto tácito para inserção em qualquer geografia.

No plano mais arrojado, posiciona-se a educação plena, que é uma mescla de conteúdos religiosos, científicos, filosóficos e sagacidade, distribuídos funcionalmente com ponderações distintas consoante a matriz relacional dos fatores do lado do educador e educando. Este conforto permite, para além de ser portador de um certificado de formação, adquirir um estatuto de role model, um líder sem título, inspirador e disseminador de boas práticas.

Em contraposição destaca-se, pela negativa, a figura de presente envenenado: um sistema de educação parco em valores ideológicos, sem estímulos para a criatividade e autodescoberta, com recompensas desproporcionais ao mérito, que impedem o espírito empreendedor e a descoberta do mundo novo, excessivo protecionismo e concessão de subsídios que negligenciam as fragilidades internas e capacidade de autocontrolo e sustentabilidade a longo prazo. Estes vícios podem defraudar todos os esforços que possam estar a ser encetados com vista à construção e consolidação de uma sociedade de conhecimento.

 

António Sendi

 

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12.9.14

 

Ouço dizer por aí: que as crianças andam insuportáveis; hiperativas; amuadas; birrentas e malcriadas.

Vejo por aí: pais sempre ao telemóvel, pais que compram pequenos computadores para os seus filhos jogarem enquanto comem, enquanto eles conversam com os amigos; pais que, para mostrarem o quanto são bons pais e amam muito os seus filhos, os inscrevem em todas as atividades da moda; pais que chegam a casa à hora dos filhos adormecerem…

E depois claro… crianças insuportáveis, hiperativas, amuadas, birrentas e malcriadas!

Talvez seja porque precisam de Atenção Verdadeira, Demonstrações de Amor, Tempo… talvez seja só isso.

Educar é Escutar!

Educar é Ter Tempo!

Educar é Estar Recetivo!

Educar é brincar!

Educar é AMAR!

 

Sara Almeida

 

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10.9.14

 

Gostava de acordar amanhã e respirar fundo, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Gostava de já não me sentir triste e vazia, incapaz de entender as mais pequenas nuances deste enredo. Gostava de ser parva todos os dias, quase tanto como dou graças a Deus por não o ser. Gostava de passar incólume pela tua sombra e seguir adiante no planeta dos sucedâneos do amor, acreditando piamente que as migalhas são o nirvana e que os sentimentos estão permanentemente em saldo. Maldita educação essa que retira a honestidade do cardápio e a substitui pela incongruência e pelo lugar – tristemente – comum.

Gostava que não me tivesses vendido o príncipe perfeito (por gestos, palavras e confissões) e uma determinação voraz em resgatar o amor da tua vida, a tua alma gémea, se não fazes a mais pálida ideia do que isso significa. Gostava que percebesses que o teu amor nunca me feriu. Magoaram-me as meias verdades e as meias entregas, seres capaz de mentir nos meus olhos acerca das coisas mais banais. Tomei-te por um homem extraordinário mas não é esse que escolhes ser agora e, não jogares limpo, é aquilo que me dilacera. Isso e não me deixares partir, mas já não depende de ti, sabes? Não quero mais esta meia coisa. Não te odeio mas também não te quero por perto. Vive a tua vida, bebe das fontes que tiveres que beber. Desaprende esses processos mentais em que te atas, mesmo que a tua mãe, os teus amigos e o barbeiro te digam que tudo tem um prazo de validade. Não lhes dês ouvidos, a menos que também te ensinem a fazê-lo com honestidade. Ser honesto a tempo inteiro é um fardo diabólico: limita o número de admiradores, fere sensibilidades de calcanhar, molda o círculo social mas também depura a capacidade de ação e acarinha a essência. Experimenta. Vais ver que não dói nada. E, no dia em que souberes exatamente do que estou a falar, vais agradecer eu ter-te impedido de fazer mais estragos nesta peça dramática que podia, afinal, ter sido a história de amor das nossas vidas.

Quanto a mim, depois de vários atos, saio de cena. Preciso muito de acreditar que o amor da minha vida ainda está por vir e que não é um projeto de pessoa adorável, presa no corpo de um tipo cuja alma tem mais buracos que um coador. Sabes o que é mais irónico? Partilhá-los-ia todos contigo, seguir-te-ia até ao outro lado do globo, sem vacilar, por inteiro, sem data de regresso, mas a solidão acompanhada é a pior das companheiras de jornada. E os sucedâneos, a mim, caem-me mal.

Uma vez disseste-me que eu era a única pessoa cem por cento honesta com quem havias estado. Quem me dera poder dizer o mesmo a teu respeito… E agora que me deixaste à deriva, digo-te adeus e resgato-me a ti. Quem te resgatará de ti próprio?

 

Alexandra Vaz

 

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8.9.14

 

Artur é um rapaz de 16 anos que frequenta o 6.º ano. Acorda todos os dias às 6 da manhã, passa a cara por água fria, come uma torrada fria e despacha o leite frio pela goela abaixo. Veste qualquer coisa, agarra na mochila e lá vai ele, apressado, todos os dias, para a fábrica clandestina de calçado, num barraco improvisado nas traseiras de um velho armazém, coser solas. Já faz isto há quase 6 anos, tem a mão certinha, a precisão de um mestre e a rapidez necessária para os pais faturarem. Até há pouco tempo trabalhava durante todo o dia, mas a Assistente Social estragou-lhes o esquema e obrigou-o a ir para a escola. Agora já só podem ganhar as duas horas da manhã e as duas do fim da tarde.

Por vezes, vezes a mais, o Artur chega tarde às aulas. Ora porque "perde o transporte", ora porque "adormece", ora porque "adoece"… qualquer coisa serve para ficar mais tempo a coser sapatos. Mas, atenção, todas as justificações chegam à Diretora de Turma devidamente assinadas pelo pai.

O aproveitamento escolar do Artur é miserável mas o comportamento, na maior parte dos dias, é exemplar. Tem uma necessidade imperiosa de agradar, de pertencer a alguém, de ser aceite pelos professores. Está sempre disponível para colaborar no que for preciso, carregando os livros da Professora de Português, arrumando a estante do material de desenho… Procura, incansavelmente, na comunidade escolar o afeto que há muito lhe fugiu em casa. Mas de vez em quando, aparentemente sem causa que o justifique, adota uma postura diametralmente oposta, rejeitando quaisquer tentativas de aproximação. A cozinheira da cantina chegou mesmo a ser agredida por ele. O Artur tem tanto de doce como de ácido, dependendo do grau de carência ou de revolta com que acorda. É quase visível o turbilhão descontrolado de emoções que mora nele. A doçura é meramente instrumental, usada para comprar pertença a alguém; a acidez serve para eliminar a possibilidade dessa pertença. Este paradoxo é compreensível se olharmos para o Artur como um miúdo perdido, habituado a não pertencer a ninguém, com tanto desejo de pertencer mas com maior receio de ser rejeitado.

Este miúdo, de nome fictício mas apenas o nome, com uma história de vida semelhante à de muitas que grassam discretamente por este país desenvolvido afora, é o resultado de uma educação reiteradamente omissa e negligente, fator que leva a que a perspetiva afetiva sobre o mundo e sobre as pessoas fique gravemente distorcida e, em alguns casos, permanentemente danificada.

O papel dos pais na educação afetiva dos filhos é central e determinante para a formação de caráter. O caráter decorre da segurança, a segurança decorre da pertença, a pertença do envolvimento, o envolvimento do compromisso, o compromisso da responsabilidade, a responsabilidade da justiça e a justiça, por último, decorre do caráter.

A negligência parental não é exclusiva de meios socioeconómicos desfavoráveis. Embora pese, pelas dificuldades e prioridades que lhe estão associadas, a questão financeira não determina o estilo de educação. Também não depende apenas das caraterísticas do miúdo, da maior ou menor resistência à disciplina, da exteriorização de sentimentos, da comunicação… O fator principal na educação dos afetos é a importância que a criança percebe que tem face às pessoas que lhe são mais significativas. Para educar uma criança neste sentido basta que os pais se façam presentes e justos. A presença dos pais do Artur resume-se a alimentá-lo a frio e a justiça, bom, é a que vimos. Aos 16 anos, graças à Assistente Social, tomará a escola conta da minimização possível dos danos. E aos pais nada acontecerá.

 

Joel Cunha

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5.9.14

 

No último ano letivo, a associação de pais da escola dos meus filhos, decidiu avançar com um projeto para o qual eu me ofereci como voluntaria e à custa disso sofri verdadeiros traumas que deixaram mazelas nas minhas delicadas ilusões sobre como as crianças são as melhores representantes da educação do futuro. O projeto consistia em passar algumas horas no refeitório da escola, a sensibilizar e “educar” os alunos.

No primeiro dia apresentei-me cheia de entusiasmo e vontade, tinham-me avisado sobre o barulho (pensei que não podia ser nada de tão terrível, nem nada de tão complicado, arrogância de quem se esquece que o aviso veio de quem sabe) - nos primeiros minutos pensei que tinha sido atingida por uma granada, fiquei imediatamente surda e, por momentos, creio mesmo que cheguei a deixar de ver.

Após a adaptação tentei começar a fazer o meu trabalho e sensibilizar os alunos à necessidade, por exemplo, de lavar as mãos antes das refeições. Por momentos pensei que estaria a falar mandarim e que seria uma extraterrestre. Olharam-me de tal forma que imediatamente comecei a procura do terceiro braço que parecia ter-me nascido espontaneamente.

Desde uma passagem de um segundo por baixo da água, a um acenar tangente sobre a minha cara de mãos molhadas e “badalhocas”, pois vos digo, eu assisti a tudo! A confusão das pequenas e joviais criancinhas, de que o cesto dos papéis era todo o chão envolvente aos lavatórios, a dizerem-me, inocentemente, que já tinham lavados as mãos de manhã antes de vir para aulas, ou até mesmo, coitadinhas, que não precisavam mesmo daquilo que eu estava a solicitar, tudo isto com uma “carinha” laroca e um sorriso que em nada indicava de estarem a chamar-me de louca ou de chata. Como disse, vi e ouvi de tudo mas com traços muito, mas mesmo muito, ligeiros daquilo que eu pensei ser educação. Isto já para não falar nos gestos graciosos que faziam com os dedos e braços mal eu me virava de costas.

Com todo o carinho olhava para aqueles pequenos seres tão absorventes do meio ambiente, aqueles que vão perpetuar a nossa espécie, carregando já consigo o essencial da educação, sem uma única vez sentir uma vontade secreta de dar um ternurento e pequenininho corretivo.

Apanhei um verdadeiro susto, mas não foi de todo por causa da linda menina que, após ter interagido com ela, deu um passo atrás, olhou-me de cima a baixo com todo o respeito e, em seguida, com umas frases que nem entendi muito bem devido à sua delicadeza, parecia que me oferecia festinhas e carinhos.

Após ter assistido a uma mãe, voluntária como eu, a ser insultada, via telemóvel, por uma outra mãe de uma criatura que não aceitou de todo o conselho e decidiu telefonar à sua mamã para que esta ajustasse contas assim mesmo, pensei: neste momento, trabalhar de perto com adolescentes e pré-adolescentes deve ser uma profissão de risco. Mas o pior é que ainda hoje, passado largos meses, continuo com medo, não dos meninos e das meninas, mas da educação que eu vi ali espelhada naquelas poucas horas junto de tão lindas criaturas.

 

Susana Cabral

 

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3.9.14

 

A educação lá de casa, da nossa rua ou bairro ou aldeia, e a educação do infantário, da escola, da universidade. A informal e a formatada.

A formal, escolar, acrescentada da formação profissional, parece vir ocupando todo o espaço.

Ensinar e aprender.

Já se reparou que a educação escolar, que é um direito universal de todos os portugueses, de “tão” obrigatória passou a ser, quase sem nos darmos conta, considerada como que um dever, algo que nos é imposto e, em larga escala, que nos é exterior. Algo para onde temos de ir e estar, a escola... Para tantos (a maioria?) a educação, a escola, é apenas e só uma obrigação imposta e que nos é alheia, não nos diz respeito. Há a nossa vida, aquilo que interessa e nos vai motivando e há os assuntos escolares.

A vida é outra coisa!

Será?

A passagem de um estádio de “educação pela vida” para a “educação pela escola” – aplicada em modelos como que mutuamente exclusivos – foi tão rápida em Portugal, brusca mesmo, que gerou desequilíbrios, desvalorizando em demasia, talvez, um conjunto de valores da sociedade, das suas estruturas, família, comunidades, modos de estar e agir, prejudicando a integração de cada um de nós como indivíduo educado e funcional.

Assim a educação, no “campus” e no terreno, é também a passagem de geração para geração de conhecimentos, práticas, hábitos, ideias. O modo como somos e estamos, nos enquadramos e convivemos, estará a ter um saldo positivo nesta evolução geracional? Isto é, o que aprendemos é mais e melhor do que aquilo que “desaprendemos” ou esquecemos, de época para época, como consequência das novas circunstâncias, necessidades, modas, mudanças e estruturações/desestruturações das comunidades, da sociedade que nos envolve e que constituímos?

 

Jorge Saraiva

 

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1.9.14

 

Aprender a pegar numa caneta e num papel, e escrever. Ler e compreender uma mensagem. Tudo isso se processa graças a ensinamentos que, como seres humanos, vamos aprendendo, se eventualmente tivermos acesso a determinados mecanismos e ferramentas.

A Educação é, realmente, uma arma poderosa como defendem tantos. Sobretudo aqueles, a quem, a mesma é, constantemente, negada. Já outros, que a tomam por garantida, pouco valor lhe dão, ou até a desprezam.

Penso que saber ler é deveras importante. Um luxo que usamos diariamente, de uma forma mecânica, e que não damos o devido valor. Se, porventura, deixássemos de conseguir ler, muitas tarefas simples poderiam se tornar um verdadeiro martírio. Quando a comunicação falha sentimo-nos perdidos. Imaginemo-nos num local onde qualquer placa está escrita num idioma desconhecido. Facilmente, nos sentimos desamparados. Mas, mais do que ler, é compreender o que está para além das letras. E essa compreensão é algo que nem todos os instruídos conseguem atingir. Porém, mais do que esta educação formal, em que temos acesso a determinados conhecimentos e aprendizagens, formas de raciocinar e expressar, essencial é ter acesso à educação do ser.

Educar para o respeito. O respeito por nós próprios, pelos outros, pelos valores fundamentais. Hoje em dia parece que nem em casa nem na escola se educa para tal. Como se costuma dizer, parece que anda tudo mal-educado. Porque mal-educado e malcriado, são sinónimos. A forma como se cria uma cria, revela-se em resultados. E o respeito, valor básico das relações, parece não ser ensinado, nem estimulado.

Como esperar um resultado correto de uma equação, quando não se respeita os princípios básicos da matemática? Como se compreende um texto que não respeita as regras de sintaxe? Como nos tornamos seres cívicos quando não se educa para o respeito?

Realmente, se analisarmos a fundo, somos educados para aprender. De uma forma teórica, aprendemos idiomas, formas de raciocínio, aprendemos sobre evolução do mundo, das coisas naturais. São-nos concedidas formas de ver e, caso a educação formal seja completa, é-nos concedida também a possibilidade de desenvolver um sentido crítico face a essas aprendizagens e questionar as mesmas, de modo a explorar outras visões, tão ou mais plausíveis. E aí somos educados, para repararmos em tudo o que nos rodeia, de acordo com a nossa própria visão. Somos educados para a autonomia, para a independência, para uma mente aberta. E ensinados a usarmos certos conhecimentos no nosso dia-a-dia. Porque, para além de desenvolvimento mental, todos esses conhecimentos têm, eventualmente, uma aplicabilidade prática.

No entanto, antes de qualquer contacto com a educação formal, e posteriormente, em paralelo, vamos sendo educados. Sem estarmos sentados a olharmos para um quadro ou livro, somos educados. Pelo exemplo, pelas palavras, pelo modo que atuam connosco, pelo que vemos, ouvimos e sentimos. Desde pequeninos vamos aprendendo. E, às vezes, aprendemos que gritar em vez de falar é normal. Que bater em vez de debater é normal. Que esperar que os outros façam por nós é normal. Que não somos capazes de mais e melhor. Que não respeitar o espaço dos outros, as ideias, mesmo que contrárias às nossas, a forma de ser, o modo de estar na vida, a liberdade e valores básicos, tudo isso, não é importante. Até porque não somos educados a colocar-nos nos sapatos dos outros. E é tão fácil ser-se egoísta! E ao longo do tempo certos ensinamentos vão ficando impressos nas nossas crenças, na nossa forma de estar e ser no mundo. E porque, raramente, somos educados para o sentido crítico e para a análise de consciência, dificilmente conseguimos distanciar-nos de nós próprios e compreender onde falha o processo que nos impede de sermos mais respeitadores. E então, aí, a responsabilidade é sempre alheia (como quem diz: “A culpa é sempre dos outros”).

Todos gostam de ser respeitados. Mas, o inverso já não é tão importante.

Não faças aos outros, o que não gostas que te façam a ti. E é aí que reside o básico da educação, no respeito. E aprendendo o respeito, a equação final resultará num produto com mais valor e mais valorizado, não só pelos outros, mas também pelo próprio.

Educar para o respeito. Desde sempre e continuadamente!

 

Cecília Pinto

 

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