30.7.13

 

Permitirmo-nos ao descanso do tumulto de pensamentos que criamos, que alimentamos, que respiramos, é ser sábio.

Encontramos dois significados para a expressão sabedoria, “Sabedoria humana e a Sabedoria Divina, a primeira é a capacidade que o homem tem de identificar seus erros e os da sociedade e corrigi-los, é limitada. A sabedoria divina é ilimitada. A sabedoria humana tem um fim. A sabedoria divina é eterna. A sabedoria humana busca seu próprio bem. A sabedoria divina busca o bem de todos. A sabedoria humana é aprendida. A sabedoria divina é um presente para aqueles que têm fé. A Sabedoria divina é a capacidade de aprofundar os conhecimentos humanos.” Cabe-nos a nós escolher qual a profundidade a que queremos mergulhar no conhecimento do que é a Essência do Homem, e uma coisa é certa, quanto mais fundo formos mais hipóteses temos de encontrar o tesouro.

Ser, é observar o que vai no nosso interior, não à tona da água mas sim como quando olhamos para a profundeza de um lago. Olhemos para nós como se fossemos realmente um lago onde cisnes brancos navegam à superfície e onde peixes se refugiam em zonas ainda desconhecidas, lugares onde a luz ainda não conseguiu penetrar. E é exatamente aí que deveríamos passar as nossas férias, a descobrir em nós o que de mais escondido temos, para que a limpeza seja ao mais alto nível. E quando o fizermos os raios de Luz penetrarão e enriquecerão toda a nossa alma. Nestas férias o sol é garantido, assim como, a felicidade, a paz, a harmonia, o Amor… Estas férias serão Eternas e as mais sábias que podemos conquistar na nossa evolução. Encontrar este destino de luxo é um passo para a liberdade do nosso Ser.

Não engane os sentidos com as distrações que a sociedade nos impõe, tente observar o que está por trás e dedique o seu tempo a apreciar o que esteve escondido desde que nasceu, quem realmente é e qual o seu propósito no imenso Universo em que vivemos…

No meu caso em concreto, enquanto procuro o melhor lugar para passar as minhas férias, passo por algumas estradas sem luz, estas fazem parte para chegarmos àqueles lugares escondidos que vagueiam em nós e só quando somos postos à prova é que percebemos a quantidade de engarrafamento que tínhamos para ultrapassar. As estradas de Luz estão no nosso mapa, mas por vezes só queremos viajar pelas secundárias e deparamo-nos com mais sofrimento, mais curvas e contra-curvas. O ideal é que cada vez que percorrermos as secundárias tenhamos a consciência que da próxima vez iremos pelas principais. Aí o percurso não é penoso e as paisagens são absolutamente Divinais!

 

Joana Pereira (articulista convidada)


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26.7.13

 

Estou de férias. Consigo distanciar-me e ver tudo em perspetiva. O mundo real está suspenso, por agora. Os assuntos que, de momento, me ocupam e consomem não vão além das horas de digestão para me fazer à água e dos lugares que me apetece visitar.

A beleza das férias está nisto: na nobre habilidade para me reduzir às funções de um protozoário. Eu faria disto o meu modo de vida, faria. Agora que reflito nisto - assunto sobre o qual, aliás, jamais me ocorrera reflectir - dou por mim a ambicionar uma vida simples, desprovida dos afazeres, dos horários e dos demais grilhões que condicionam a liberdade. Podia ser uma pedra da calçada ou um prato de macarrão frito, tanto me dava, desde que não tivesse que fazer nada. Podia viver assim, podia. Nem teria necessidade de investir em léxico: usaria o verbo "vegetar" em tudo o que fizesse, se fizesse alguma coisa, claro.

Já havia dado por mim a admirar e a respeitar a bondade de um navio que passa ao longe, lenta, lentamente. Imaginava os tripulantes ao fim do dia, reclinados sobre o mar, mirando o horizonte, o ocaso, escutando parcimoniosamente o burburinho roliço e ondulante da água que se vai encostando lenta, lentamente ao casco. E queria ir ali também, para longe da azáfama dos meus dias.

Passo pelos artistas de rua e olho. Que desperdício de talento, meu Deus! Gente tão válida, vendida ao turismo. Bom, aparece de tudo: uns seguram o pincel como quem segura um machado, outros desenham retratos de gente à beira de um ataque epilético. Mas noutro dia vi um que desenhava como se fosse fácil desenhar, sem esforço, perfeito. Que fazes aqui? - Perguntei-lhe. Olha, pago as contas. E não lhe perguntei mais nada.

As viagens permitem-me sair de mim, ver-me de fora. Como se a rotina do resto do ano me impedisse de fazer balanços tão acertados. Regresso habitualmente cheio de ideias, renovado, energizado, com uma perspetiva revigorada do mundo e com horizontes mais largos. Venho inspirado, contagiado pelos artistas de rua, pelas paisagens, pelo mar, monumentos, projetos arquitetónicos, pelos cheiros, pelas pessoas e, acima de tudo, pelos momentos de convívio com os amigos.

As férias são, para além de tudo, uma aprendizagem mais rica e valiosa sobre a condição humana. Consigo ver tudo de cima, como se não fizesse parte daquilo, porque de passagem estou e ali não pertenço. Mas levo pedaços comigo que jamais me largarão. A lição que retiro das férias remete a minha existência quotidiana para um lugar bem pequenino, despertando-me para aquilo que estou, todos os dias, a perder.

Tal como aquela viagem paciente do navio, que leva a minha imaginação para lugares distantes e tranquilos, as férias transportam-me de volta para mim, permitindo-me conhecer melhor e colocando-me no lugar a que pertenço: aqui.

 

Joel Cunha


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23.7.13

 

Essa indagação leva-nos a deduzir que as férias têm também um sentido de recompensa a algo obtido, alcançado ou conquistado, sendo um prémio atribuído com meritocracia e mediante critérios declarados a um vencedor. Os outros, entenda-se os não vencedores, também merecem um prémio de participação dos quais os perdedores conformados (os que aceitaram e digeriram a derrota) são os maiores premiados pelo exercício de autocrítica e reflexão em torno das causas do insucesso e previsão da época seguinte. As férias conquistadas são assim regozijantes que as férias cedidas ou impostas por Lei, calendário ou história.

Na tentativa de classificar as férias com recurso a dois critérios, são eles o tempo ou duração e o contexto ou natureza, permite-me nomeá-las em temporais ou perpétuas, e profissionais ou sociais, designadamente. A sua combinação resulta na designação de férias mais ou menos breves, conjugadas com a razão de sua ocorrência, do que resulta numa matriz de quatro campos. O domínio desta matriz, ainda que intuitivamente, é crucial para o planeamento de sua execução.

Entretanto, se as férias em termos de duração tornam-se extensas, geram o efeito maldição da abundância, que reflete na sua essência um paradoxo. Em sentido oposto, as férias quando tornam-se variáveis económicas funcionam num sistema de restritivo, elevando a racionalização do seu uso e consequente aumento ou melhoria de produtividade. O comportamente humano contribui para o efeito: não raras vezes as férias animam no fim, ou então 10 dias úteis de férias sabem melhor que 30 dias de calenário.

Voltando à pergunta de partida, e cingindo-me na sua essência, a sua enunciação e sentido crítico conferem uma avaliação profunda da atuação dos diversos agentes no pleno exercício de sua atividade. Existirá alguma racionalidade suprema de atribuição de férias relacionada com o desempenho de alguma atividade. É inegável a sua existência, porém, questionável a sua ocorrência num tempo e espaço específico.

No plano de avaliação do resultado das férias contam-se o custo (sacrifício de recursos a para sua realização) e benefício (recompensa obtida dos resultados almejados) e respetivo resultado (valor). A análise do valor das férias é uma técnica que permite avaliar a eficácia e eficiência do valor obtido pela ocorrência de férias, que resulta da comparação entre os custos e os benefícios. A sua validade consciente permite-nos proceder ao balanço das férias como um indicador dinâmico (efeito alavancagem) para o desempenho no exercício seguinte, se considerarmos as férias como um momento de transicção de uma época para a outra.

As férias conquistam-se e fazem-se por merecer. Um dos pressupostos para o gozo de férias plenas e conscientes é saber lidar com os meios e tecnologias de comunicação e informação, por um lado, e com o equilíbrio emocional e autoconsciência, por outro. O equilíbrio entre ambos é uma inequação, enquanto os meios de comunicação e informação permitem mantermo-nos informados das ocorrências de nosso interesse, a autoconsciência atua como julgador em busca de uma razão consciente dos nossos atos diretos e indiretos face as ocorrências captadas e retratadas pelas TIC (tecnologias de informação e comunicação), bem como aqueles outros estímulos (verdades inconsoláveis) que os radares das TIC dificilmente conseguem fazer leitura e retrato fiel.

 

António Sendi (articulista convidado)


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19.7.13

 

Atrás da cortina, com uma mão fechada sobre o peito e outra agarrada à cortina, observa o carro virar a esquina e desparecer. Partia naquele momento a sua vida, como se a arrancassem de si mesma. Mais uma vez chegara aquela altura terrível do ano em que, quase durante um mês, não o veria olhos nos olhos, nem sequer um beijo de boa noite lhe poderia dar. Estava longe, livre e divertido, como ela o quisera, enquanto ela sentia um aperto no peito. Chegara as férias e com elas, a saudade.

Mãe a tempo inteiro, desde que o sonhara e carregara, até o trazer à vida, até hoje. Todos os dias, desde sempre. E agora, lá ia ele, acenando e sorrindo, como se o que ficava para trás fosse apenas o de sempre.

Olhou em volta e sentiu um vazio. Desde o divórcio que o seu preenchimento se resumira ao abraço do seu filho. Quebrada e fustigada, só aquele calor a fazia sentir-se viva. E agora tinha de suportar o silêncio. Aquele maldito silêncio! Aquele maldito espelho que a olhava, e a julgava, e a torturava.

Recostou-se no sofá e perdeu-se na televisão, enquanto as imagens e os sons davam à casa a sensação de movimento. Estava ausente, como estivera durante tanto tempo. Ausente de si, para si, para o mundo. Apenas aquele pequeno Ser a fazia retornar. E agora, mais uma vez, partira. Assim, seria sempre, enquanto a custódia assim obrigasse à partilha. Até que um dia, a partida seria mais prolongada, muito mais. Quando o passarinho quisesse voar derradeiramente.

Fechou os olhos. Deixava a dor dilacerar as entranhas. Como se tornara tão diferente de quem fora? Como se tinha dissipado dentro de tantas perdas? Quem era aquela mulher agora? Não se reconhecia, mas não sentia forças para se recuperar. Tudo era em prol de se manter à tona, somente para que aquele pequeno passarinho pudesse ter todas as capacidades para um dia desbravar todas as batalhas, mesmo que a mãe não estivesse por perto. E sobretudo, para que nunca se perdesse de si próprio, como ela o fizera. Mas poderia ela controlar isso? Bem sabia que não. Como sabia que por mais que parecesse fazer crer junto do seu filho, a sua plenitude, ele o sentia não ser. A única coisa verdadeiramente feliz era aquele amor incondicional.

Adormecera, com o peito esmagado de dor e saudade, de memórias e pensamentos atordoantes. Sonhou, toda a noite, com a família que fora. Sorrisos, brincadeiras, momentos emocionantes. Seu filho corria para os seus braços e segredava que jamais iria embora. Estaria ali, sempre ali!

Acordou com os raios de sol a acariciarem-lhe o rosto. Quentes, como as mãos meigas do seu pequeno. Ao abrir os olhos, o rosto do seu filho fora o primeiro pensamento. Sorriu. Pouco depois, já levantada e preparada para um novo dia, o telefone tocou.

Do outro lado, uma voz estridente de vida exclamou:

- Olá mamã! Estou na piscina!

- Olá meu amor! Estás a gostar das férias?!

- Sim, mamã!

- Que bom, filho!!! Brinca muito, mas porta-te bem, sim?

- Sim, mamã!

- Beijinhos!! A mãe ama-te muito!

- Eu também! Beijinhos!

Num ápice, sentiu um calor no coração e um aperto. Que fugaz aquele contacto. Reconfortante a voz do filho, mas ao mesmo tempo uma saudade maior.

Olhou pela janela, como quem espera a chegada de alguém querido.

- Como é que uma mãe pode tirar férias de um filho? - pensou.

- Impossível! Sorriu…

De férias, já bastava as que tirara de si própria, há muito. Estava na hora de regressar…

 

Cecília Pinto


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16.7.13

 

Tempo de parar

Imergir na sabedoria interior que transportamos

Mostrando a nós mesmos a fibra de que somos feitos

E assim conquistamos, um pouco mais, o território inóspito da autoincredulidade

 

Ou então seremos obrigados a inoportunamente

Ultrapassar o

Tempo que optamos por esquecer.

 

Marta Silva (articulista convidada)


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12.7.13

 

Estamos em Portugal, país à beira-mar plantado, de clima temperado, que se aproxima do clima mediterrânico à medida que nos encaminhamos para sul. Desde que passou a haver o conceito e o gozo de férias – há cerca de 75 anos – que Portugal faz férias no verão, mais ou menos generalizadamente.

 

Férias!

Praias, mergulhos, banhos de sol, festas e romarias, festivais de todo o tipo de música e para todo o género de pessoas, chegada dos nossos emigrantes na Europa, ar livre, churrascos e sardinhadas, escape. Encontros e reencontros. Dinheiro extra, consumo adicional. Relaxe e recarga das energias. Que bom, férias!

 

Férias?

E se não tiver trabalho, se estiver desempregado? E se não tiver dinheiro, mesmo sem ser extra e, portanto, não puder mudar de ares, para os encontros e reencontros e apenas sobrar a vontade de desaparecer, de se fazer desencontrado?

Se o verão for igual, ao inverno e ao outono e a tudo, ou melhor, a nada?

 

Tanta pergunta. É, estamos em Portugal, comecei por precisar, e além de umas adivinhas, mais parece que estamos numa montanha-russa: sobe devagarinho, quase a parar, logo desce vertiginosamente; vira para um lado, vira para o outro e quando a engrenagem para, voltámos ao mesmo sítio.

 

Só que Portugal, de férias ou não, não é um parque de diversões. Pois não?

 

Jorge Saraiva


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9.7.13

 

Sempre me pergunto se adultos sabem o que são as férias.

Quando eu era pequena, eu sabia. Colocava minhas coisas em alguma mala, fechava tudo e no carro eu sentia o vento. Eu ia sair de férias.

Mas hoje como adulta não sei bem o que é isso. Posso sair de férias, mas minha cabeça vai junto. E os problemas também. Não consigo desligar minhas preocupações como se fossem um botão, elas vão no carro também.

Tenho vontade de tirar férias no coração. Deixar o mar levar minhas mágoas, meus ressentimentos e sentir a areia que afunda nos meus pés. Queria que a brisa pudesse me fazer esquecer os dias cinzas, correr pela praia como uma criança corre, totalmente dominada pela emoção de estar ali, nada mais tem importância, não pergunta sobre o seu passado nem questiona seu futuro. Aquele momento é o dela, são suas férias.

Depois que crescemos nunca mais saímos de férias, elas saem de nós. Não existe mais ingenuidade nem a vontade de estar tão aberto a tudo. O coração e a mente não esquecem o que ficou atrás, fazem questão de misturar tudo com a água salgada do mar.

E quem mora em cidade, tira férias? Nunca. Ninguém se desliga, nem que seja apenas por uns minutos. Férias deveriam ser períodos de horas que tiramos apenas para não pensar tanto em coisa que não tem soluções.

Deveria ser aquele momento que estamos sozinhos e livres de tudo que nos atrapalha, deveríamos lembrar quando éramos pequenos e ficávamos ansiosos por tudo, felizes de conhecer coisas novas.

Férias deveriam ser isso, o momento que abrimos nosso coração ao mundo, sem preconceitos, sem julgamentos, estamos ali parados na areia admirando o momento, sentindo o vento. E só por isso somos felizes. São as férias, esse ponto onde podemos sentir o coração leve. Tudo parece estar bem, tudo parece fazer sentido, o coração e a mente nos pedem todos os dias um pouco dessa liberdade, querem suas férias, querem seu momento.

Todos precisamos de férias, todos nós precisamos nos sentir felizes de novo. Mesmo que isso não dure um verão.

 

Iara De Dupont (articulista convidada)


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5.7.13

  

Uma noite destas tive um sonho estranho. Os meus sonhos são sempre muito estranhos e sem sentido, pelo menos à luz do meu entendimento, mas este era diferente, era absurdo. Caminhava, acompanhada, numa rua muito movimentada, ia conversando enquanto observava a pessoa que caminhava à minha frente. Quanto mais a observava mais familiar essa pessoa se tornava. Reconheci-lhe o andar apressado, reconheci-lhe os gestos e maneirismos, reconheci-lhe as mãos que num gesto para levantar o cabelo da nuca a deixaram desprotegida e reconhecível. Admirei o corte de cabelo, era um corte bem definido e que assentava muito bem. Dei por mim a pensar, ainda dentro do meu sonho, que não tinha ideia nenhuma como era o meu cabelo visto de trás, gostei do que vi. Gostei de me ver ali mesmo à minha frente. Reconhecer-me na pessoa que caminhava à minha frente não foi assustador e tão pouco intrigante. Como era possível isso acontecer, foi questão que não me coloquei, vi e senti aquela duplicidade com naturalidade.

Absurdo! Foi tudo o que me ocorreu dizer quando acordei, mas de imediato refleti sobre as vantagens de eu ser, ou ter, uma segunda pessoa. Que desafogo sentiria se um duplo meu acarretasse com as minhas preocupações, deixando-me livre e leve para prosseguir com a minha vida! Entendo a vida como uma missão que aceito e que quero cumprir, no entanto, quando tudo à volta parece desmoronar-se, quando o dia-a-dia nos esgota e gritamos por descanso, que jeito dava podermos descansar entregando a nossa existência a alguém da nossa inteira confiança e que a devolvesse quando voltássemos a querer ser donos dela! E, quem melhor do que nós mesmos para essa função desde que desprovidos das emoções e dos sentimentos que nos atrapalham?

Tiramos férias e deixamo-nos resgatar ao esgotante rodopio que nos arrasta, mas de volta aos nossos rituais facilmente nos deixamos envolver pelas situações e de novo o mesmo desejo de fugir da rotina, de fugir das pessoas, de fugir de nós. Desejos de nos escondermos num lugar onde não sejamos notados, onde possamos observar sem sermos observados, onde possamos esquecer quem somos e de onde vimos. Mas, para onde quer que vamos, levamos connosco o que somos, ou não somos e queremos ser, o que temos, ou não temos e queremos ter, as nossas alegrias e tristezas, as nossas certezas e inseguranças, enfim, levamo-nos por inteiro. As férias apenas atrasaram processos e, na melhor das hipóteses, deixaram-nos ver à distância a dimensão das nossas envolvências, relativizando a gravidade e a importância das mesmas.

Divagações minhas em vésperas de ir de férias comigo mesma e por inteiro.

 

Cidália Carvalho


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2.7.13

 

 

Quando penso em férias, penso num ambiente em que não tenha que pensar em nada do que me faz pensar e repensar, ou seja, a vida profissional, a vida pessoal no que se refere a problemas domésticos do quotidiano, como avarias, contas a pagar, saúde…

Isso existe? Se calhar não. A solução seria sair de nós próprios, pois continuamos a ter a mesma profissão e a mesma vida pessoal quer estejamos aqui ou no outro lado do mundo de férias. Fazer uma pausa de 15 dias, mais ou menos, pode ser utópico apenas.

Pelo que tenho experienciado de férias, dou por mim sempre a pensar no que ficou e, mais ainda, no que terei que fazer quando voltar, no que posso melhorar, o que corre mal e no que posso mudar. Isto é saudável, na minha opinião. Mas até que ponto é que poderemos chamar de férias? Ou serei eu uma trabalhadora compulsiva, algo de crónico? Claro que me divirto nesses dias, fazendo o que normalmente não faço, mas o pensamento está entre lá e cá.

O que me tem mesmo invadido o raciocínio sobre as férias e tempos de folga, tem sido a minha nova teoria de que qualquer manhã, tarde ou hora, pode ser vivida com o sentido de férias. Por exemplo, as horas de almoço, em vez de serem a correr, a pensar que temos que despachar isto e aquilo para o dia acabar mais cedo ou para não deixarmos para outro dia ou para não acumular trabalho (laboral ou não laboral), poderemos vivê-las na totalidade como horas de folga. O primeiro passo seria sair do espaço físico do trabalho, caminhar um pouco, ler algo que nada tivesse relacionado com o trabalho. Se não for possível sair do espaço físico laboral, mudar de posição, tentar olhar para algo diferente que não costumamos olhar enquanto trabalhamos, como as plantas, leituras diferentes… Aproveitar também para conversar com outras pessoas que não sejam colegas de trabalho. Se tal não for possível, falar com os colegas de trabalho que realmente consigam conversar sem ser sobre trabalho.

Tenho lido alguns artigos sobre o empreendedorismo, atitude positiva para o sucesso e liderança e todos convergem para a ideia de nos afastar de pessoas tóxicas. Este adjetivo parece bastante… elitista, mas a ideia que se pretende transmitir é que nos devemos afastar de pessoas e situações que, em vez de ajudar como pretendem, levam-nos para comportamentos condicionados em conformidade com algo que nos faz tensão. Colegas de trabalho que não conseguem falar sobre outro assunto que não o trabalho dão essa tensão se nós não quisermos falar disso. É dessa tensão que temos que tirar férias. É essa tensão que nos faz sentir cansados.

Se encontrarmos forma de aliviar a tensão diariamente, talvez as férias não tenham um peso tão elevado no nosso ano laboral. Talvez as férias sejam vistas como férias e não como o único momento do ano em que podemos aproveitar desalmadamente para descansar, levando-nos ao cansaço. Quantas vezes já ouvimos: “Vou tirar férias das férias…”?

 

Sónia Abrantes

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