27.8.09

 


 


"Dói-me a alma..."

Desde miúda que ouvia o meu avô dizer esta expressão. Mais velha, lembro-me de ouvir a minha mãe. E nunca entendi.

 

Hoje entendo. Hoje consigo perceber o que eles queriam dizer com aquilo. Hoje posso dizer que sei, porque já senti.

É aquela dor que vem lá do fundo, que se sente com todas as partículas do corpo. Aquela dor não física mas tão real, que chega mesmo a doer.

As palavras faltam, a vontade falta, a disposição deixa de existir. É um misto de tristeza com depressão. É não estar bem em lado nenhum, não haver nada que nos faça mexer, andar, sorrir, querer. É não deixar de respirar porque é uma função inata... porque se não o fosse, acredito que muitas vezes iria deixar de o fazer.

É o não saber o que se quer, ou pior, não se querer nada. É as lágrimas viverem, durante horas, ou dias, no limbo... prestes a saltarem. É o querer dormir até mais não, mas com a consciência de que o sono vai ser horrível.

É desejar, às 8h da manhã, que sejam depressa 19h. É começar um conversa e lá no fundo desejar que a pessoa se cale o mais depressa possível. É o querer fugir de todo o lado. É o não estar bem nem com nós mesmos. É o querer fazer reset à vida, querer morrer e acordar outra vez.

É tudo o que se ouve que não chega. Tudo o que se diz não é suficiente. Não há carinho que nos acalme, não há abraço que nos tranquilize. Não há nada. Só nós. E isso não é suficiente.

 

É sentir dor física em algo que não existe... a alma.

 

Filipa Pouzada

 
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24.8.09


 


A nossa vida de seres humanos “saudáveis” baseia-se num conjunto de emoções e sentimentos que experimentamos todos os dias, desde que nos levantamos da cama até à hora de irmos dormir. Mas até durante a noite vivênciamos emoções e sentimentos que normalmente se mostraram mais importantes ou preocupantes durante o dia – os sonhos.

A apatia e a insensibilidade são a total ausência desses sentimentos, esses mesmos que nos parecem, à primeira vista, tão fundamentais para a nossa saúde tanto física como mental e que os damos, muitas vezes, como certos e adquiridos.

Às vezes damos por nós a pensar que somos bastante sensíveis em comparação com outras pessoas que observamos. Algumas vezes dizem-nos mesmo: “- És tão sensível…”. Seremos assim tão sensíveis?

Quando passamos por alguém que não nos interessa encontrar, ou que queremos evitar, por vezes ignoramos; o mesmo se passa quando somos nós os ignorados. Outra situação muito comum é quando nos cruzamos com alguém que se encontra debilitado, em sofrimento, com fome, doente. Na maioria das vezes já nem sequer olhamos, nem pensamos naquela ou naquelas pessoas, mesmo que isso seja involuntário. Este involuntário é muito suspeito já que é criado por nós e funciona como uma barreira: a banalização do sofrimento alheio. Isto ocorre por duas razões, a primeira para não sofrermos e a segunda para “não sabermos” que existe esse tipo de sofrimento.

Infelizmente a insensibilidade é isso mesmo: já nem reparar nas pessoas à nossa volta, na pobreza alheia e que, muitas vezes, surge tão próxima de nós.

 

Outro caso, e este mais grave do ponto de vista emocional, é o daquelas pessoas que experimentaram situações adversas nas suas vidas e que para se protegerem tornaram-se apáticas, ou insensíveis. Essas pessoas tornam-se ásperas e sem sentimentos, como costuma dizer-se. Normalmente são as que sofrem mais, pois são totalmente incapazes de mostrar sentimentos ou afectos; são pessoas “sem amor”.

                                                                                                     

Diogo Ricou

(Imagem: Portrait de Madame Boucard, de Tamara de Lempicka (1931)

 
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21.8.09


 

Darwin, já no Século XIX, debruçou-se sobre o estudo das emoções, tanto no Homem como nos animais, tendo chegado à conclusão que as emoções, ou a expressão das mesmas, era algo inato a ambos. Para além de reforçar a ideia que já tinha de uma origem comum, levantou a questão da utilidade da expressão das emoções para a sobrevivência dos indivíduos. Darwin identificou seis emoções inatas ou universais - alegria, tristeza, surpresa, cólera, desgosto e medo, que serviriam como uma ferramenta para ajudar o indivíduo e a sua comunidade a sobreviverem (através da observação dos sinais emitidos pela expressão das emoções).

 

Damásio, mais recentemente, volta à questão da utilidade das emoções. Começa por fazer a destrinça entre emoção e sentimento, sendo a primeira a reacção a uma determinada situação indutora e que seria perceptível por um observador externo, e o sentimento sendo a tomada de consciência da emoção pelo próprio indivíduo e que seria apenas perceptível para si.

Apesar de Damásio concordar com Darwin na utilidade das emoções para a sobrevivência, coloca a ênfase na capacidade da emoção de fazer “disparar” reacções rápidas a determinadas situações, potenciando a probabilidade de sobrevivência.

Ao contrário do que foi a corrente dominante durante décadas, que defendia que uma tomada de decisões correcta dependia exclusivamente da razão, Damásio vem defender que a tomada de decisões não pode ser feita sem a participação activa da emoção, sendo esta um complemento imprescindível, tal como a razão, na tomada de decisões.

 

Hoje em dia ouve-se, amiúde, falar da Inteligência Emocional como se da redescoberta da roda se tratasse; no entanto a inteligência emocional, mais não é do que a tomada de consciência (recordamos que é esta tomada de consciência que Damásio denomina de Sentimento) das nossas emoções e consequente a resposta com base nesta auto-consciência.

O verdadeiro desafio da inteligência emocional centra-se na mudança de paradigma, no sentido de ensinar e treinar as pessoas nas tomadas de decisão com base nas suas emoções, sem medo de que essas decisões não sejam tão boas por não serem muito “racionais”.

 

Alexandre Teixeira

 
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18.8.09


  


Podia escrever sobre o que de bom existe, ou me faz sorrir.


Podia escrever sobre o que me faz ficar triste.

Mas neste momento só me apetece escrever sobre o vazio que sinto, aqui, dentro de mim. Sinto um frio, físico, dentro do meu peito. Acho que é mesmo na alma. Não sei. Neste momento não sei nada, só sei que tenho este vazio. Preenchê-lo com quê? Com um abraço? Uma festa na cara e uma mão pelo cabelo?

Não… não me imagino a deixar ninguém fazer-me isso. Não quero que entrem neste meu espaço, neste que é o meu sítio. Não quero ninguém que me roube a respiração, o sono, a fome. Quero ser só eu, auto-suficiente. Sei que me estou a habituar demais a esta solidão, mas gosto da minha companhia, não sinto falta de mais ninguém.

Quero estar aqui, no meu canto, só pôr a cabeça de fora quando me apetecer, só ouvir, estar ou fazer, quando cá dentro tiver vontade.

E não tenho. Neste momento a vontade é nula. Neste instante nem os lanches ao domingo em casa da avó me fazem sair daqui.

Faço as coisas por obrigação, faço tudo sem vontade.

Quero o sol. Quero os dias grandes, quero sentir na cara uma festa quente, que me faça abrir um sorriso. Preciso disso para viver…

Quero sair daqui, para um sítio onde ninguém me conheça, onde ninguém precise de mim. Quero sentir que também posso precisar de alguém. Preciso de precisar. Preciso de ter alguém que me pergunte como correu o meu dia, as minhas consultas, que se preocupe. Em quem e com quem eu possa ser eu, sem muros, tijolos, pedras e afins.

Sinto que estou a passar pela vida, em vez de ser ela a passar por mim. Preciso de me sentir viva outra vez. Acordar de manhã com vontade de sair da cama, sorriso aberto nos lábios e vida a correr-me nas veias.

Já dizia o outro:

"As ínfimas partículas que me fazem sentem-se tristes hoje, pelo todo de que fazem parte...".

 

Filipa Pouzada

 
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14.8.09

 


 


Na enfermaria, o som do televisor impõe-se abafando algum queixume de um ou outro doente mais sofrido. As imagens que se sucedem ajudam os doentes a não pensar, aliviam o sofrimento.

Com ele é diferente, esta diversão não resulta. Em boa verdade nem se dá conta do lugar onde está; estar ali, em casa ou em qualquer outro sítio é-lhe indiferente. Não quer estar em lugar nenhum.

O seu olhar fixa-se na janela da enfermaria. Está muito perto, porém é incapaz de percorrer essa distância que o ligaria ao mundo. As pernas recusam-se a mexer, ao seu corpo inerte falta-lhe vontade, comando. Ir até à janela exige ânimo. Ânimo, é a alegria de que precisa para expulsar a tristeza que o mata. Mas, para ele, ser alegre não é fácil. Se ao menos acreditasse que existe uma felicidade eterna!... Mas de eternidade, a única coisa que conhece é a tristeza que teima em estar. Leu algures que a alegria não está nos outros nem nas coisas, a alegria está em nós, temos que procurá-la no nosso interior. Procurar em nós?! Mas onde e como pode procurar-se uma coisa que não se conhece?

 

- Então João, é hoje que aceitas sair comigo? Se quiseres até peço autorização para passear contigo sem bata, fico mais bonita. Vamos dar uma volta no jardim?

Olhou-a sem entusiasmo. Não rejubila com estas manifestações de carinho e isso ainda o entristece mais. Se ao menos conseguisse sorrir-lhe, ainda que um sorriso triste!... Mas triste mesmo, é ele não ter sorriso.

Se alguma vez conseguir sair daquela prisão será com ela que dará o primeiro passeio pelo jardim; é-lhe devido esse prémio. A enfermeira Ana esforça-se, nota-lhe uma preocupação autêntica e tem esta maneira engraçada de tentar estimulá-lo.

 

- Pode morrer-se de tristeza?

A pergunta sai-lhe sem a sua autorização. Não devia preocupá-la ainda mais...

A ela, não a apanha desprevenida. Lembra-se, quando andava a tirar o curso, de ter estudado casos em que os bebés, por não receberem afecto e carinho, por falta de colo, entram num marasmo que, lentamente, os vai matando. Na sua vida profissional já acompanhou outros casos em que as pessoas por inércia se deixam morrer.

A resposta à dúvida que ele não tem é dura mas verdadeira.

- Então, porque não morro eu?

- Porque eu não quero! Tudo farei para que vivas!

Antes de se afastar ainda lhe sorriu carinhosamente.

 

Fecha os olhos, recolhe-se ainda mais no seu íntimo, mas desta vez não para se isolar do ambiente que o rodeia, mas para saborear o ligeiro adocicado daquele sorriso.

No seu isolamento consegue ver que a alegria afinal tem um lugar dentro dele, está ali mesmo em frente à sua tristeza. Enfrentam-se num duelo em que a última tem levado a melhor sobre a primeira, provavelmente continuará a ser assim, mas neste momento a distância que o separa da alegria ficou ligeiramente encurtada.

 

Cidália Carvalho


(A todas as enfermeiras, em especial à minha amiga Ana Rita)

 

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11.8.09


 


Gosta de levantar-se cedo. A casa em silêncio desperta devagar, sem sobressaltos. Aprecia estar só na certeza e no conforto de ter, à distância de um grito, aqueles que dão sentido à sua vida.

O sol levanta-se como ele, lânguido e silencioso e num gesto de altruísmo dá à terra a luz e o calor que alimenta a vida. Determinado a impor-se vai iluminando, primeiro um degrau da escada, depois outro e mais outro, até se instalar no alpendre.

Os seus raios lambem-lhe a cara, aquecem-lhe o corpo, invadem-no com uma pacífica energia.

 

Não foi sempre assim mas hoje é-lhe grato por esta dádiva desinteressada.

Lembra-se que, quando menino, o pai no seu papel de educador lhe dizia para repartir, partilhar sem esperar nada em troca. Apontava o sol como exemplo de total desinteresse. O sol dá para simplesmente dar, não dá no seu próprio interesse e não espera o reconhecimento de ninguém.

Não punha interesse na sua dádiva!? Mas como poderia pôr, se não sente?

Mesmo assim era exemplo de altruísmo. Odiava-o por isso.

 

Simone Weil disse que o homem não é um ser egoísta; ele não concorda. Aprendeu cedo que o homem age sempre e apenas em função do seu interesse pessoal. 

Hoje, lembrando o dia em que a mãe foi buscar o João à maternidade, ri dos medos e das estratégias imaginativas para lembrar às pessoas que ele também existia. O menino não chorava, não ria, não fazia gracinhas, não dava os primeiros passos nem dizia as primeiras palavras que não tivesse uma legião de testemunhas a aplaudir e a encorajá-lo a novas aventuras. Fingiu estar feliz por ter em casa aquela criatura irritante e assim conquistou o afecto do pai e da mãe.

Quando possuidor de algo afirmava-se e não partilhava com o irmão. O pai, com paciência, lá lhe explicava como deveria agir recorrendo ao exemplo, o único que talvez conhecesse, do sol.

Mas porque não se servia ele dos homens para lhe explicar que não devemos ser egoístas, seria difícil encontrar bons exemplos? Mas não se diz que o homem nasce naturalmente bom?

 

Ele não se considera mau, mas ainda tem presente com que ambiguidade reagiu ao nascimento do seu primeiro filho. Adorava-o mas odiava a ideia de ter que repartir a atenção da sua mulher; habituados a viverem um para o outro, passaram a ter que viver para o filho. Mas o que mais lhe custava era, sem dúvida, abdicar daqueles momentos de silêncio a que se entregava para crescer interiormente, o momento em que balanceava: o que eu fiz e o que eu poderia ter feito.

Com o nascimento do segundo filho foi diferente, habituado que já estava a partilhar o espaço físico e emocional, o Guilherme foi poupado a alguns momentos de crise afirmativa. Ama-o de igual modo que ao filho mais velho mas não lhe perdoa aquela jovialidade. Finge que não vê as alterações físicas que se vão processando e que transferem para o filho toda a mocidade que vai perdendo: a facilidade com que se movimenta, enquanto ele vai perdendo agilidade; a linguagem ligeira com que se exprime, enquanto ele cada vez mais formal e frases cuidadas... Tem até vergonha de si mesmo por assim sentir, mas a juventude do filho lembra-lhe a velhice que se aproxima. Tem sabido poupá-lo a este egoísmo que o rói interiormente, mas tende a fazer disso um heroísmo, que não é, e que por isso não lhe é reconhecido.

 

O beijo que recebe é-lhe querido e deixa-se arrebatar aos seus pensamentos tolos e sem sentido, coisas dele, que o avançar da idade alimenta.

-Bom dia filho! É hoje que vais visitar o Sea Life?

- É, pai. Finalmente foi licenciado e já nasceu uma cria, é um tubarãozinho.

- Queres que te acompanhe?

- Claro meu! É fixe quando fazemos coisas juntos!....

- ...Hum! Vamos lá então. Pelo caminho conto-te a história de um egoísta insociável...

 

Cidália Carvalho

 
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7.8.09


 


No carrossel da vida há sentimentos sublimes. E, por serem tão belos, é difícil acreditar que existem quando nunca os sentimos na pele. Quando trazemos o amargo nas vivências e uma dor profunda na alma, vazia de afectos e calor.

O amor, que valida a existência, parece perdido no triângulo das Bermudas; uma miragem para uns quantos afortunados e uma utopia para os restantes.

 

Buscamos a plenitude, a paz de espírito que nos segredará as palavras mágicas e zás, ficamos instantaneamente felizes. Achamos nós, incautos. Caminhamos nessa busca, muitas das vezes, sozinhos. Sem directrizes nem planos de voo. Sem alguém que nos faça rodopiar. Sem amigos.



Os amigos são o abraço no meio do caos, são a força e a serenidade.

Os amigos dizem quem somos. Amam-nos pelo que somos. Tal e qual.

Os amigos são a parte de nós que não nos deixa desistir. São a luz durante a travessia.

Os amigos são o sorriso e as lágrimas. A partilha da dor e das maiores alegrias.

Os amigos são o bálsamo da alma.

 

E, quando caminham connosco, tornam a viagem mais excitante e segura. Não enjoamos nem temos medo. Mentira, temos medo sim, mas já não estamos vazios. O afecto com que nos revestem a alma, enche-nos de coragem e resiliência para seguir em frente. Ainda que doa.

 

P.S.: E não vale a pena dizerem-me “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”. Oh meus amigos, até Judas tinha amigos irrepreensíveis…

 

Alexandra Vaz

 
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5.8.09


 


Já estão abertas as inscrições para as 2as Jornadas sobre PREVENÇÃO DO SUICÍDIO.


 


Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett


Jardins do Palácio de Cristal, Porto


24 Outubro 2009


 

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4.8.09

 


 


Afinal, só é digna de desejo a pessoa desejável por outros e, logo, passível de ser levada.

 

O binómio desejo/ciúme é altamente interactivo: enquanto outros sentimentos surgem independentemente da existência ou não de outra pessoa (a tristeza, a alegria, a ansiedade, a esperança), o ciúme ligado ao desejo, como o desejo ligado ao ciúme, envolvem e afectam necessariamente um outro, íntimo, com grande envolvimento emocional.

Emoção ou instinto básico, o desejo sexual pode ser avassalador, no sentido em que, quando a razão autoriza, ou pura e simplesmente não interfere, é ao corpo que se obedece, e de bom grado se cede à sua urgência e intensidade. Várias vezes, a satisfação do próprio desejo inclui a satisfação do desejo do outro; mas invariável é a vontade de o possuir.

O sentimento de posse, com nuances diferentes ou não, é também afim ao ciúme, e a ele se cola o medo de se perder o que se possui. Na nossa sociedade actual, o ciúme será maioritariamente visto como um sinal de imaturidade, associado a baixa auto-estima, insegurança, falta de racionalidade, raiva e vingança. Já se viu aliado à honra e à moral, como prerrogativa masculina essencial na manutenção de relações estáveis e duradouras, logo à preservação da família. Poderá dizer-se que mesmo hoje em dia, algum ciúme como condimento, sinal de amor e de dedicação à relação quer-se presente. Mas só quando não resvala para o excessivo.

Isto acontece quando a irracionalidade do medo desproporcionado de perder o parceiro para outra pessoa, e das dúvidas (mais ou menos delirantes) em que este medo assenta, conduz a uma desconfiança excessiva e insuportável, empurrando a pessoa ciumenta, numa tentativa de aliviar o seu sofrimento, para comportamentos inaceitáveis ou bizarros, por vezes violentos, e acarretando muito sofrimento para a outra parte. O ciúme excessivo encaminha invariavelmente a relação para o seu fim, pelo menos enquanto relação salutar. Torna-se imprescindível reconhecê-lo e tentar saná-lo.

 

Ana Álvares

(Imagem: Desejo, de Ana Isabel Camilo)


 

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