29.5.09


 

O diálogo entre pais e filhos reveste-se de singularidades que o tornam tão difícil quanto importante. Abundam os textos sobre as dificuldades e responsabilidades na perspectiva dos pais. Mais difícil se torna encontrar reflexões centradas no papel a desempenhar pelos filhos, como se as dificuldades e responsabilidades existissem apenas para com a geração seguinte. O peso excessivo que por vezes é colocado nos pais, só aparentemente os pune e responsabiliza em demasia. Na verdade, essa perspectiva unilateral torna-se de tal modo pesada, que leva a que muitos pais a interiorizem como inatingível.

A co-responsabilização no estabelecimento e manutenção do diálogo deve constar, à partida, das regras elementares que enformarão todo o relacionamento. Só assim se estabelecerá uma relação equilibrada e sadia, estruturante para o desenvolvimento responsável dos filhos e determinante para que o diálogo aconteça e se mantenha.

 

O desenvolvimento harmonioso e completo dos filhos é uma das responsabilidades mais importantes dos pais. A manutenção do diálogo é certamente uma das armas mais eficazes para se alcançar esse objectivo. Todos nós conhecemos exemplos de filhos emocionalmente afectados pela ausência de diálogo com os pais. Mas serão menos numerosos, ou menos relevantes, os casos de pais que sofrem pelo mesmo motivo? O equilíbrio emocional da família só se conseguirá, se ambas as partes assumirem as suas responsabilidades, empenhando-se para que o verdadeiro diálogo aconteça.

 

José Quelhas Lima

 
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26.5.09


 


Como ser social que é, o Homem possui a necessidade de comunicar, de colocar informação fora de si e de receber informação vinda do seu exterior. Essa troca é fundamental para o seu equilíbrio, para a sua saúde mental, para o seu crescimento e para a definição da sua individualidade.

 

Todos necessitamos de colocar fora de nós mesmos, noutra pessoa, aquilo que pensamos, aquilo que sentimos; necessitamos de comparar os pensamentos e sentimentos dos outros com os nossos e essa troca de informação é o estímulo para novos pensamentos e para a (re)experimentação de sentimentos. Os outros podem estar junto a nós, ou muito longe.

São diversas as formas como comunicamos com os outros, são vários os canais que, hoje em dia, utilizamos para esse fim. Podemos mexer o nosso corpo, tocar no outro, enviar palavras, mostrar imagens, etc.. Podemos comunicar através do ar, de objectos por nós criados, de máquinas criadas para transformar o longe em perto (e que por vezes transformam o perto em longe).

 

A evolução do Homem levou ao desenvolvimento da comunicação e esta, à evolução da Humanidade. O último século e meio tem sido extraordinário na mudança dos meios e das formas de comunicação. Em particular no último meio século, o Homem assistiu a muitas e grandes alterações, a uma velocidade crescente.

 

Mas se evitarmos o deslumbramento da evolução dos meios e conseguirmos olhar apenas para os conteúdos, para os conteúdos essenciais, verificaremos, certamente surpreendidos, que desde que há registos, na antiguidade como hoje, o Homem mantém dentro de si as mesmas necessidades, as mesmas preocupações, experimenta os mesmos sentimentos, as mesmas emoções, sofre pelas mesmas razões.

 

Bem pode Mercúrio vender as asas, as sandálias e a bolsa; bem pode comprar uma antena nova para o capacete, uns patins em linha, um laptop topo de gama – mas a essência das mensagens será sempre a mesma: cada um de nós, carregado de sentimentos, emoções e dramas, em confronto com os outros.

 

FCC

 
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24.5.09

 



 

O telefone toca uma, duas, três vezes. E quando atendemos, a única coisa que corta o longo silêncio é uma breve expiração que chega do outro lado. Apesar de todos os esforços, o silêncio mantêm-se e vai-nos roendo por dentro. Porque é que ninguém fala? Terá sido alguma coisa que eu disse? Terá sido alguma coisa que eu não disse? Terá sido a forma como eu disse alguma coisa? Todas estas questões e muitas mais vêm à cabeça enquanto o silêncio vai persistindo em se manter em linha, e nenhuma resposta parece surgir. Quando o telefone é desligado, uma sensação de alívio pelo desconforto ter terminado mistura-se com um pensamento: “Que mais poderia ter feito para ter desatado aquele silêncio?”.

 

-//-

 

A conversa vai animada, as palavras fluem como um rio, pergunta atrás de pergunta, resposta após resposta. Parece que foi ainda ontem que nos vimos pela última vez, tal o à vontade com que os temas vão desfiando. E de repente surge aquela pergunta que dávamos tudo para que não tivesse surgido: “Então os teus pais? Que é feito deles que nunca mais os vi?”. E um silêncio que parece não ter fim antecede a resposta: “Morreram no ano passado...”. Alonga-se o silêncio por mais um breve infinito, após o qual o desconforto é já demasiado para a conversa voltar a arrancar.    

 

-//-

 

Já lá vão sete anos de casamento e apesar de todos os bons momentos e de tudo de bom que o casamento trouxe, parece que a distância entre os dois vai crescendo inexoravelmente após cada discussão, após cada pergunta que fica sem resposta, após cada dúvida que não é desfeita. E a falta de respostas só vai aumentando as dúvidas, as inseguranças.

Como é que ele não percebe que ao não dar-se ao trabalho de responder às questões, ao não perder tempo a desfazer as dúvidas, ao simplesmente virar as costas e sair em silêncio, está apenas a condenar a relação ao fracasso?

Até onde pode o Amor resistir quando não há comunicação? Quando apenas um dos lados se esforça por esclarecer e conversar e falar sobre o que se sente?

 

-//-

 

Estes três pequenos textos têm apenas o intuito de ilustrar alguns dos efeitos que o silêncio pode ter em cada um de nós, lembrando assim que, por vezes, o silêncio tem tanta importância como a falta dele.

 

Alexandre Teixeira

 
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23.5.09


 


Nos últimos tempos temos assistido, de uma forma algo voyer, a casos ocorridos nas salas de aulas portuguesas, que foram gravados e que posteriormente amplamente difundidos e comentados na comunicação social.

Ora até aí, parece que nada de anormal há neste processo, no entanto e não querendo retirar a gravidade dos casos difundidos, parece-me que por vezes somos muito rápidos nos julgamentos que fazemos dos actores destas tramas e esquecemos toda a envolvência destas situações.

 

Quando lia o editorial do Destak, da autoria da Isabel Stilwell, não pude deixar de ficar admirado com a rapidez com que colocamos etiquetas às pessoas, tendo por base um determinado momento das suas vidas, como se esse momento espelhasse toda a personalidade e toda a história de uma vida.

Talvez por (de)formação académica não consegui ficar confortável com a etiqueta de mal educada que a referida autora do editorial colou à professora que, por estes dias, anda na boca do mundo (e não, não sou professor, nem para lá caminho).

Posso estar a ser inocente ou ingénuo, mas acredito que por trás das atitudes daquela professora, mais do que má educação ou simples maldade, como alguns também disseram, encontra-se uma pessoa em sofrimento e com um nível preocupante de desequilíbrio psico-emocional. Custa-me crer que aquelas atitudes sejam de uma pessoa que esteja mentalmente equilibrada, pelo que me parece que perdemos demasiado tempo e recursos a julgar aquela professora e pouco a procurar as razões por trás deste comportamento, ou formas de evitar que aquele tipo de comportamentos se repita no futuro.

 

Num estudo sobre professores ingleses, o autor refere que 77% (sim, 77%) das baixas prolongadas devem-se a problemas do foro psicológico, como irritabilidade, ansiedade, debilidade nervosa, depressão, etc..

Um outro estudo inglês refere que 30% dos professores sofriam de níveis elevados a severos de perturbações mentais, que estavam positivamente relacionados com stress profissional.

Em Portugal, um estudo de 1983 do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa referia que mais de 50% das consultas clínicas se deviam a queixas relacionadas com stress de origem profissional. Mais recentemente, Pinto e colaboradores chegaram à conclusão que da amostra de professores estudada, cerca de 30,4% encontrava-se em elevado risco de atingir um nível pleno de burnout (ou desgaste psico-emocional).

 

Todas estas referências têm apenas o objectivo de demonstrar que os professores são uma classe profissional muito propensa a sofrer um desgaste físico e emocional extraordinário e que por outro lado é urgente providenciar medidas preventivas para os proteger, evitando os níveis assustadoramente elevados de doenças mentais, protegendo ao mesmo tempo o ensino e acima de tudo a própria integridade física, emocional e mental dos alunos que com estes professores lidam no dia-a-dia.

 

Alexandre Teixeira

 
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18.5.09


 


A ténue linha que separa a verdade da mentira é de tal forma fina que, muitas são as vezes em que se torna invisível, não se podendo evitar a promiscuidade entre as duas.

Desde muito cedo é-nos transmitido que é feio mentir. É com total embaraço e de rosto completamente ruborizado que ficamos quando uma das nossas crianças profere, diante de todos, a verdade, alto e bom som: “- É tão feio!” ou “- Não gosto.”.

Com um sorriso manhoso ouvimos os comentários feitos, entre dentes, que classificam a reacção da criança como uma falta de educação e é com pena que vemos que com facilidade as pessoas olvidam o estado puro de um ser humano.

 

A verdade é que a “educação” vai retirando a inocência e amarfanhando as resposta espontâneas e verdadeiras.

Em nosso redor e à medida que “crescemos” somos cercados com um arame farpado que nos limita e que acaba por nos ensinar como e quando devemos mentir.

A educação não nos permitir ferir a sensibilidade dos outros e, de repente, vemo-nos a agradecer, com um ar de eterna gratidão, um conjunto de louça verdadeiramente pavoroso que para nada serve. Escondemo-lo em caixotes, juntamente com outras “mentiras” que deixamos guardadas na garagem, não vá o diabo tecê-las ao sermos confrontados com o seu paradeiro.

A educação, as normas de convivência, são as prefeitas desculpas para as mentiras que diariamente vamos dizendo, de tal forma que até já não nos damos conta. Foi decidido que estas seriam as mentirinhas piedosas e essas de nada tem de errado, afinal é para o bem comum.

 

Não podemos destruir a auto-estima de ninguém, mesmo quando somos confrontados com o pior dos dilemas. Perante a questão de alguém que se encontra verdadeiramente nas nuvens com o seu novo vestido, “- Não estou fabulosa?”, o que fazemos? Deixamo-la ir e apresentar-se em público a parecer um verdadeiro desenho animado ou, por outro lado, arruinamos logo ali a sua ilusão com a tentativa de a fazer mudar de roupa?

Podem responder que existem formas de contornar estas  situações, o que peço é que, por favor, me ensinem porque desconheço...

Muitas vezes, dizer a verdade significa magoar desnecessariamente... e essa sim, é uma verdade.

Mas onde fica o limite entre a “piedade” e a mentira pura e dura? Vamos sendo “enformados” na sociedade, de tal forma que de repente ficamos impedidos de dizer o que realmente sentimos e pensamos, e de expressar as opiniões que acabamos por guardar só para não magoar, para não ser mal-educados, ou não ser detentores de ideias “esquisitas”.

 

E sem sequer reflectir sobre isso, vamos cada vez mais respondendo, agindo, de acordo com o que nos é solicitado e com aquilo que esperam de nós.

Seria completamente descabido dizer a alguém que o seu cheiro é de tal forma mau que nos impede de respirar, ou dizer a alguém que só tem dores de dentes porque simplesmente tem uma higiene oral muito, mas muito, duvidosa. Em vez disso, dizemos com um ar muito sereno que hoje não nos sentimos muito bem e tentamos esconder as náuseas que sentimos. Ou ainda, com o ar mais profissional do mundo, dizemos à pessoa que tem de começar a escovar os dentes de uma forma “diferente” porque a que está a utilizar não resulta para o “tipo” de dentes que tem.

Ficamos “proibidos” de dizer aquilo que às vezes temos vontade, porque não encaixa no perfil daquele que se orgulha de ter uma boa educação e vemo-nos obrigados a mentir sem qualquer peso na consciência, ou penalidade, porque afinal só estamos a fazer aquilo que é correcto para não ferir a sensibilidade de ninguém e não sermos marginalizados.

E assim vamos vivendo, muitas vezes no limiar da verdade e da mentira, como as regras da mentirinha piedosa nos permitem.

 

Susana Cabral

 
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14.5.09

 


 


Aprendemos que para haver comunicação é necessário existir um emissor - o que emite a mensagem, e um receptor - o que recebe essa mensagem. Sendo estes dois elementos necessários, não são contudo, bastantes.

O homem é um ser social. Interage com os outros homens e comunica-se de diferentes maneiras. São várias as formas de se comunicar não sendo, por isso mesmo, importante o modo mas, isso sim, que a comunicação se processe com eficácia.

 

Se a mensagem enviada não for recebida em boas condições, se não estiver contextualizada ou emitida numa linguagem perceptível pelo receptor, então não há comunicação - pior, há desentendimento. Por vezes, uma má comunicação atinge contornos graves, perdas irreparáveis, ou simples constrangimentos difíceis de desembrulhar.

 

Se o receptor entende, ou sente, a mensagem de forma diferente do seu criador, gera-se uma situação de “mal entendido”, ou “mal emitido” caso se tenha dito, gesticulado ou escrito, algo que não queríamos transmitir. Muitas vezes, desculpas e explicações não são suficientes para nos recolocarmos num relacionamento que se quer são, sem reticências e sem mágoas.

A situação agrava-se se uma e outra parte acham “coisas” acerca do que se disse: “eu acho que o querias dizer, era...”. A intenção era dizer mas não disse?.... Uma comunicação sincera e aberta não pode ser um processo de intenções. Deve dizer-se exactamente o que se quer dizer, e fazê-lo na exacta medida e de forma clara.

 

Comunicar é muito mais do que uma necessidade básica. Quando comemos estamos a satisfazer a necessidade básica de nos alimentarmos mas também experimentamos prazeres e sensações de agrado à vista ao tacto e ao gosto. Comunicar, é um processo semelhante, é necessário e é bom. Uma boa conversa pode funcionar como uma boa terapia e as alegrias partilhadas são alegrias dobradas.

 

A comunicação no amor é tão importante que, o início de um relacionamento está muitas vezes aí, na facilidade com que comunicam e na vontade com que o fazem. A falta de comunicação dita, quase sempre, o seu fim. 

Vi há dias, num filme, uma mulher explicar ao seu marido a razão da sua infidelidade. Ela acusava-o de não saber comunicar. A falta de comunicação afastou-os e ela tinha conhecido uma pessoa que a ouvia, que lhe falava, compreendiam-se. No entendimento dela, desta proximidade assente na comunicação, tinha nascido o amor.

 

Os gestores ou os indivíduos com autoridade para contratar, exigem capacidade de comunicar no perfil dos candidatos. Há uma década atrás, esta característica, nem constava na lista de competências dos candidatos; agora lidera a tabela, adiantando-se mesma à capacidade de executar e dominar estratégias e aos conhecimentos profundos em gestão.

 

Os meios de comunicação evoluíram e diversificaram-se, potenciando a aproximação ao outro mas, será esse o resultado prático dessa evolução? 

Não estarão, à medida que os meios evoluem, as relações humanas a caminhar em sentido contrário, arrastando os indivíduos para estados de solidão que, mais não fazem do que aumentar a dor?

 

Cidália Carvalho

 
Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 22:06  Comentar

11.5.09


 


Numa tela em branco, pincelada após pincelada, vai-se dando formas a um estado de alma traduzido em cores, traços e riscos.

Carregando-se mais no azul para que se possa percepcionar a agitação das águas que se tenta recriar. O preto serve para dar formato as âncoras que se vêem presas a uma silhueta humana. Preto e mais preto agarrado a cada membro de um corpo demasiado franzino para segurar tanto peso.

A vida tumultuosa e imprevisível é representada por um mar revolto e encrespado, os constantes e permanentes obstáculos ganham o contorno de ondas.

Sob a aparência de uma pequena e discreta “mancha” consegue-se vislumbrar o lugar que se pretende alcançar. O possível oásis onde se possa saciar a sede, matar a fome e conquistar a tranquilidade.

 

Com tons pálidos, o esboço de um ser humano salienta-se, um rosto sem definições, sem características particulares. Vê-se o significado da sobrevivência, traduzida em braçadas constantes para conseguir manter um corpo demasiado fraco, com demasiado peso, à tona. Esse rosto, esse corpo pode ser de qualquer um, pode ser meu, teu, dele ou daquele! Quantos de vós já se sentiram a afogar, a perder a força e a querer desistir?

Já alguma vez se sentiram no meio de um oceano, sabendo que para sobreviver teriam de nadar sem parar, vencer o cansaço, o medo, e ainda suportar o peso de âncoras amarradas a cada uma das pernas e cada um dos braços? Tiveram de boiar e descansar para recuperar forças, fôlego, para logo em seguida, após algumas braçadas fortes, se sentirem novamente cansados e impotentes para prosseguir um milímetro mais.

A solução foi-vos dada pela razão: tinham apenas de desamarrar as âncoras e deixarem-nas escorrer até as profundezas. A indecisão foi-vos ditada pelo coração, quando continuaram e persistiram em alcançar a tal “mancha” sem se desfazerem do peso de uma âncora que fosse. A teimosia, o orgulho, a estupidez, a inocência, o carinho, o amor foram verdadeiros ditadores!

Debateram-se mais e com mais força que a própria fúria de Neptuno num dia de tempestade! Resistiram e persistiram estoicamente, sentiram que nadavam em círculos, sabiam que perdiam tempo e mesmo assim continuaram em insistir? Insistiram em não abrir mão de pesos que já se encontravam mortos e a possibilidade de os salvar há muito tinha-se extinguido!

Tudo porque teriam que admitir que perderam, que se perderam - a vida, o conteúdo, o valor, o significado, o sentimento que aquelas âncoras representavam!

 

Sem saberem distinguir se o sabor a sal que sentiam na boca seria das lágrimas ou da água que vos ameaçava afogar, tiveram de largar, de desistir, e de esquecer os motivos que vos levaram a tentar salvar a todo o custo umas âncoras que, um dia, tiveram a forma de um bonito sentimento e os contornos de um sonho.

Sentimentos, sonhos que poderão ter a forma de âncoras para mim, para ti, para ele ou para aquele.

 

Numa última pincelada termina-se a tela com todas as cores, todos os traços e riscos que representam um estado de alma quando se termina uma história.

 

Susana Cabral

(Imagem: Barcos Holandeses na Tempestade, de J. M. W. Turner)

 
Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 22:10  Ver comentários (4) Comentar

9.5.09


 


Reflectido na margem de um riacho é possível ver o céu…

Enquanto as nuvens se movem para Oeste, o riacho corre para Este; conseguimos assistir a um desencontro harmonioso.

 

Fechemos um olho, espreitamos para dentro de um tubo redondo e conseguimos ver o deformar e formar de formas de todas as cores: quadrados verdes dentro de triângulos azuis, hexágonos que contornam uma circunferência vermelha a qual, de repente, se transforma numa pinta rosa e assistimos a uma impossibilidade colorida.

 

Fitando um espelho procuramos o lado direito de um rosto e afagamos o lado esquerdo de uma imagem reflectida num pedaço de vidro, e verificamos que com facilidade se troca o evidente.

 

O que não deveria acontecer… acontece, o impossível torna-se no possível e a facilidade numa constante.

As experiências de vida vão-se sucedendo e formando vivências que fazem parte de um percurso que se iniciou com o primeiro berro, mas que apenas ganham consistência no momento em que é possível armazená-las em forma de memória.

A vida flui como a água de uma nascente, seguindo um sentido, mas os sonhos e os desejos não se prevêem e podem, muitas vezes, percorrer o sentido inverso e acontece o que não deveria acontecer, viver uma vida que não faz sentido.

 

A vontade apenas existe, sem haver regras ou normas para a definir. A vontade faz com que se cometam actos irreflectidos e o impossível tornar-se o possível.

Não! Sim! O que parece mais fácil é evitar o confronto com aquilo com que não se concorda, com o que não se planeia, com o que não se enquadra…

Mesmo que aconteça o que não deveria acontecer, quando nos vemos a viver uma possibilidade que sempre foi impossível, deveremos ter a coragem de esquecer a facilidade e escolher apenas o queremos.

Mesmo que essa escolha se traduza num adeus permanente e num afastamento definitivo.

 

Susana Cabral

 

Temas:
Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 15:31  Ver comentários (5) Comentar

5.5.09


 


Emprego e desemprego não são só estados sociais. É verdade que o emprego (em especial alguns empregos) dá estatuto social, mas também permite o desenvolvimento pessoal e a realização profissional. O indivíduo sente-se integrado num processo de desenvolvimento social para o qual contribui com o seu trabalho. O trabalho é remunerado e, por conseguinte, ter emprego é ter a possibilidade de adquirir meios para a sobrevivência, diversão, cultura e outras manifestações tão importantes ao equilíbrio do ser humano.

 

Se o emprego proporciona tudo isto, o desemprego rouba-o, muitas vezes de forma cruel.

Na hora de reduzir aos “custos com o pessoal”, a notícia: “- Lamentamos, gostamos muito de si, foi sempre um funcionário exemplar, mas a empresa necessita de reduzir custos...”, dói, dilacera.

O ter sido dispensado de uma actividade, não contarem com os seus préstimos, provoca em cada indivíduo uma sensação dolorosa e a maior parte das vezes associada a um sentimento de injustiça.

Para quê tanto esforço?! Horas extraordinárias sem remuneração?! Apenas e só o sentido do dever a ditar horas de permanência para além do horário!

 

A família que, a bem do trabalho, conformada com a ausência, aceitando que as férias sejam reduzidas a duas semanas, poderá não compreender o despedimento!

Angústias sentidas que, a certeza de tudo ter feito para ser um empregado exemplar não acalmam, pelo contrário, são dores difíceis de conter. Não dói a consciência mas dói a alma.

E aos poucos, a dor cede o lugar ao desalento. Instala-se a dúvida e põem-se em causa capacidades. Triste com o presente e assustado com o futuro, o indivíduo inicia processos de autodestruição podendo acabar, em alguns casos, no suicídio.

 


 

Cidália Carvalho

 
Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 13:19  Comentar

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