12.1.14

 

No meio de tanto caos, de tanta emoção já desgastada, no meio disto tudo, às vezes, o que preciso é de um intervalo. Intervalo dentro de mim, para espiar o que me esqueço durante o rodopio. Espiar os meus sonhos, arrumados a canto, enquanto cumpro o dever de ser o que é suposto ser, segundo os escritos de um messias qualquer.

Somos autopunitivos, quando não assumimos o que nos move verdadeiramente. Esquecemo-nos em prol de um ideal irrealista, que nos afunda, em vez de nos tornar mais e melhor. Em vez de nos elevar. E, por isso, ansiamos sempre por mais umas férias, mais um fim de semana, mais um intervalo. Esquecemos, porém, que as férias, o fim de semana, são tempos finitos e curtos face à tormenta de todo o tempo restante. E, durante esse tempo, aniquilámo-nos, enquanto aguardamos o ressurgimento da nossa essência, nesse pequeno intervalo. É no intervalo que nos fazemos vivos, que nos ligamos à paixão, que nos sentimos livres, que nos entregamos. Significa então, que mais do que um prazer, o intervalo é uma necessidade de sobrevivência. Uma sobrevivência tão fugaz, que nos corta logo o fôlego. É essa esperança que nos faz aguentar todo o tempo de jogo, em que nos movimentamos como peões no xadrez, esperando sempre não ser derrubados pelos avanços de uma peça maior.

E, se em vez de vivermos só no intervalo, tal bolha de ar, vivessemos todos os dias? Todos os dias nos entregassemos verdadeiramente à paixão, ao que nos move e nos irradia por dentro, ao que nos faz crescer e sentir energéticos, em vez de cansados? Ao que nos faz correr, em vez de adormecer? Ao que nos faz rir, em vez de stressar? Ao que nos faz dançar, em vez de chorar?

Em tempos de renovações, como todo o novo ano aspira, façamos um intervalo, para pensar e refletir, do que nos impede, mesmo em tempos difíceis, de perseguir os nossos sonhos, de sermos mais autênticos e fiéis ao que realmente somos, de nos tornarmos mais plenos. Talvez, consigamos descobrir mil e uma razões que nos afastam do verdadeiro conceito de intervalo, mas a maior de todas permanecerá sempre dentro de nós. O que estamos dispostos a fazer para tornar o nosso intervalo, num modo de estar/ser na vida?

 

Cecília Pinto

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:00  Comentar

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