22.11.13

 

O clique deu-se quando a minha mãe um dia disse, era eu ainda muito nova, “somos como os passarinhos: tratamos dos nossos filhos enquanto estão no ninho, ensinamos a comer, ensinamos a voar, ensinamos a procurar alimento e deixamo-los voar sozinhos e a cuidar de si próprios.”

Liberdade para mim é isso, ter alguém que nos ensina a ser e a estar, criarmos a nossa própria forma de pensar e ter espaço para errar e continuar a viver, com a responsabilidade de todos os nossos atos, sem prejuízo para os outros.

Como seres humanos, a grande diferença que temos em relação aos passarinhos é que cada um de nós pensa de forma individual e, segundo isso, vivemos em sociedade. Aqui a liberdade também deveria continuar a ter lugar mas muitos confrontos históricos comprovam que as sociedades não se regem só pela liberdade, muito embora seja essa uma das necessidades da natureza humana.

Ouvimos expressões como liberdade de expressão, escolha de valores e princípios, identidade… Há vários momentos históricos em que alguém decidiu que afinal não somos um rebanho de ovelhas, ou um bando de aves comandado por um único indivíduo ou conjunto de indivíduos, sendo estes seguidos por muitos que se conformam e agem em conformidade.

Daí chamar a liberdade de utópica pois estamos sempre presos à liberdade dos que nos rodeiam, o que por vezes é contra a nossa forma de estar e isso também temos de respeitar.

Quantas vezes nos aconteceu tentarmos dar o melhor de nós, segundo os princípios e valores em que acreditamos e que nos ensinaram que são os mais eticamente corretos, e encontramos alguém que se impõe e não nos deixa espaço para inovar, dinamizar, fazer evoluir ou apenas mudar para aquilo que se pensa ser melhor?

Quantas vezes ouvimos “fazemos desta forma pois é assim que eu digo e quero que seja”?

Quantas vezes ouvimos que, por sermos os únicos a falar, somos nós que estamos mal (se é que há bem ou mal)?

Podemos referir aqui alguns nomes como Martin Luther King, Abraham Lincoln, Anne Frank, William Shakespeare, entre outros, que fizeram valer a sua opinião e conseguiram chegar a tantas pessoas para a sua melhoria de vida, de alguma forma contrariando a tendência quase espontânea do ser humano para ser submisso a quem se julga com poder.

Bem-aventurados os que vivem em liberdade, porque deles é a voz do mundo.

Creio que podemos viver em harmonia mesmo com grandes diferenças culturais, de conhecimento e vivências. Basta para isso respeitar o Outro tal e qual como ele é, dar-lhe confiança para que possa desenvolver as suas crenças e permitir que a mudança aconteça, para aí sim, escolher o melhor caminho para evoluir não estagnando no que é costume, presos àquilo que nos dá segurança, perdendo a liberdade de sermos humanos e não máquinas.

 

Sónia Abrantes


Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:00  Comentar

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