3.11.13

 

Surpreende-me que o sexo, que deveria ser inato e natural para todos, seja algo de estranho e artificial para algumas pessoas. Aceito que a instrução sexual seja necessária para que não confundamos os estames com os carpelos e para que saibamos animar uma boa conversa sobre gâmetas. Aceito ainda melhor que pais e escolas eduquem as crianças no sentido da prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de gravidezes não programadas. A teoria é fundamental para o assentamento dos pilares de uma boa saúde sexual.

Mas e a prática? Quem ensina a prática? Sim senhor que há toda uma mobilização de energias no adestramento das mãos para o correto manejo dos talheres e do gosto para a adequada combinação de padrões no vestuário. Mas nada se ensina, pelo menos pelas vias oficiais ou de forma massiva, a respeito de um assunto tão fraturante como o ato de fazer amor. Nesta área estamos todos, uns mais do que outros, entregues à nossa própria sorte.

Estou convencido, para que se faça justiça, de que vão surgindo aqui e ali algumas formações avulsas sobre áreas específicas do tema, em jeito de workshops. Mas, regra geral, continuamos entregues à nossa sorte, mesmo em pleno século de modernidades. É claro que esta é uma necessidade mais própria de iniciados do que de experientes, se bem que há quem ande enganado toda a vida.

O que me leva à pergunta essencial: o que distingue um bom momento íntimo dos restantes?

Seria fácil dizer-se que, pela presença de prazer, todas as relações sexuais são boas. No entanto, nem sempre assim o é. (E, atenção, neste texto apenas estão contempladas aquelas em que há mútuo consentimento, dentro de uma sexualidade dita "regular", privada, não pretendendo entrar em especificidades de fetichismos, parafilias, dominações ou quaisquer outras). Vamos lá ver: que fatores intervêm na qualidade de uma relação? Para já, as variáveis físicas, tais como a energia muscular, os volumes, os encaixes, as pressões digitais, os odores, os estímulos visuais, um sem-número de outras cuja lista se tornaria fastidiosa. Depois, talvez as mais importantes, as psicológicas, tais como a educação, os preceitos morais, a entrega, a vontade, o desejo, a expetativa, a imaginação, a criatividade, a "magia" ou a "química", a comunicação, a leitura do outro, a perceção, a experiência, os afetos, eu sei lá… Tantas. Uma das que mais pode contribuir para um eventual flop é a expetativa: conceber cenários imaginários de que será assim ou de que acontecerá assado, é meio caminho andado para correr tudo ao contrário. Outra é a inexperiência: que "escola" tem um iniciado senão a do instinto e a do bom senso? Tem a teoria, que já é muito bom, mas àquela primeira vez daria muito jeitinho alguma prática. Mas como uma das melhores coisas desta vida é a aprendizagem, também nas relações sexuais a natureza nos incumbiu do papel de nos irmos melhorando, superando e inovando.

Sobre este tema pode falar-se inesgotavelmente: há tantas questões que podem ser levantadas, como por exemplo, (1) que importância assume a atividade sexual na vida dos casais ou (2) o que fazer quando o desempenho sexual não é satisfatório ou (3) por que razão persiste ainda a conversa sobre sexo numa espécie de limbo clandestino, fenómeno que graça para além do público, entre portas e mesmo debaixo de lençóis? A melhor maneira de quebrar tabus, de vencer receios, de aprender e de beneficiar a vida íntima e afetiva é a comunicação. Conversar, discutir, debater, colocar em perspetiva, é o caminho menos sinuoso para a construção de uma sexualidade mais plena. A saúde das relações agradece.

 

Joel Cunha


Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:00  Comentar

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