11.6.13

 

“Pisaste o risco”, pensou enquanto segurava firmemente as lágrimas do desengano. Aquele risco que ambos tinham delineado como barreira entre o ser nós e o quebrar de uma união, presumida como da vontade de ambos e de cada um. Cada um sabia que uma relação comportava sempre um risco de se desenvolver em diferentes direções. A verdade é que ninguém sabe o desfecho seja do que for, mesmo que os indicadores apontem numa determinada direção. Às vezes, ninguém dá nada por uma relação e esta mantém-se duradoira, contra todas as expetativas. Outras vezes, todos afirmam ser uma relação “para sempre” e esta desaba quando menos se espera. Pisara o risco e agora tudo o que havia sido uma certeza transformara-se numa incerteza deveras assustadora. Como é que uma escolha podia ter um peso assim tão determinante? A escolha entre estar aquém e para além do risco? Segurava as lágrimas que antecediam as violentas ondas de emoção que atordoavam todo o seu ser. Ele correra o risco de tudo perder. Ela sentia que tudo estava já perdido. Parecia agora haver uma linha que os separava e se tornava fronteira entre ambos, que eram antes um nós. E o que fora nós, eram agora dois mundos rodeados, cada um pela sua própria fronteira, quase estranhos um ao outro.

Pisara o risco, e transpusera-se agora para uma nova realidade, muito diferente daquela que desejara antes de atravessar a fronteira. Mas se atravessara é porque aquilo que primeiramente desejara já não era o que queria agora. Valera a pena? A certeza é que tudo se transformara, como tudo muda na vida.

O que nos faz ir para além do risco ou ficar aquém deste, no lugar seguro do pseudo-controlo? O que nos leva a pisar o risco? O que nos faz decidir correr o risco, mesmo não sabendo o destino? E sobretudo, quando vale a pena correr o risco?

 

Cecília Pinto


Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 06:00  Comentar

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